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            Estou
         mais velho.
       E isso significa
     obviamente  que  os
    mesmos  pensamentos
   à todos me é comum:
   devo estar mais
   paciente, ter
    progredido  e  a
     cultura  me  atraiu.
       Estar   mais   velho
         me remeteu ao passado
           um   tanto  longíquo
            de que antes  eu era
            poeta   e   romântico
           incurável e que minha
         vida  estaria  fadada
       ao amor  incontido  e
     infinito. E estar mais
    velho me percebeu que
   perdi um pouco da
  prática poética
  incandecida que
   metricamente me
    aliviava o amor.
      Há  muito  amor
       naquelas  poesias,
          incontestável isso!
            Mas aquelas métricas
              absortas  extraviei
               e nem dei par de que
                 isso  era  a única
                   contextualização
                     amorística  que
                       tive. E o qual
                         sentimento o
                          substituiu, se
                         é que substituiu?
                        Ainda é  a conversa
                       de que sou o proclame
                     explícito de minh'alma,
                   a quantificação de um
                 eu grandioso  e
               explêndido. É o
             mero discurso
           de de um outro
         alheio   que
        a mim foi,  um
        fragmento interior
         de vida pura.  Com
          a   idade,   aquele
           retrógrado sentimento
            de   nunca   saber  o
              que    é   realmente
                perdeu-se    e   não
                  me deixou triste não.
                     São  fragmentos  que
                       nem sequer percebem-me
                           como  dono,  tamanha
                              distância comeu  as
                                beiradas — o que me
                                 amedronta. Outras
                                 genialidades que
                                nem quero ter
                               sido eu
                            o autor.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.