Terras Altas 2011 – Punta del Este

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Punta del Este — como todo bom paraíso fiscal — tem uma vida social perfeita: gente rica, americanos, velhos decrépitos, mulheres gostosas e o principal: a plasticidade de uma cidade artificial.

Comece pelo Casino Conrad: a Marrom era a estrela da semana para animar os fim-de-carreira que gastavam os tubos em dólares fichados na roleta. Isso em plena terça-feira à tarde. Quer coisa mais deprimente? Velhos cadeirantes, com suas bolsinhas de mijo e soro anexadas, flertando com as garçonetes de saias curtinhas.

Ficamos 5 minutos no cassino. Patético.

A orla é daquele jeitão: final de estuário do Mar del Plata (o rio Paraná, para quem não sabe), com praias estranhas e não muito graciosas, um atracadouro e marina deslumbrantes, leões marinhos e focas simpáticas, pescadores carrancudos com seus barquinhos simples no meio da heterogenidade de iates e veleiros milionários.

Gente bonita correndo e passeando pelo calçadão, mesmo com o frio polar de 4ºC. Surfistas tentando se manter nas ondas gélidas da corrente fria das Falklands.

Casas de famosos. Ah sim, esse é o city tour que a brasileirada faz com a CVC: Ali ó, a casa da Gisele Bundchen. Essa é a casa da Xuxa, Aquela mansoneta ali, do Menem. Uma Hollywoodzita descolada e pueril.

As casas de Punta tem nomes. Como barcos. Parafraseando o nome de uma que vimos, ‘5mentários’.

Vale a visita. Principalmente para conhecer uma cidade balneária que deu certo, em uma região que só faz calor  mês por ano.















Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>