Terceira temporada, episódio 2.

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Terceira vez que me mudo por aqui na terra santa (notado no ep. 1). Acho um saco mudar de casa. E agora eu entendo porque humanos gostam de comprar imóveis e morar neles para sempre. Nada pode ser muito personalizado quando você mora em uma casa que não é sua.

Problema de mudar de casa é a demora estrogonófica para instalar os commodities da vida moderna (combo internet+telefone+tv a cabo)

Eu achava que essa porqueira de combo só existia no Brasil como venda cruzada: ledo engano. Aqui também sou obrigado a ter um ‘telefone fixo’ e tv a cabo para desfrutar de uma internet de fibra óptica.

Mas a vida residencial desplugada tem seus afagos próprios.

Toda noite desenho uns planos arquitetônicos de como colocar quadros, fotos e ilustrações nas paredes. Com escala e tamanhos corretos.

E móveis.

Assim descobri que a vida de um arquiteto é legal.


Uma pena ali na imagem do topo. Enroscada em uma conífera. Foi a primeira foto que tirei depois de 38 dias sem olhar no visorzinho. Realmente estou do lado de fora do barril da fotografia.


Tem um troço acontecendo comigo que eu não imaginaria que aconteceria tão cedo: estou me desapegando do Brasil. Eu saí do país decepcionado com algumas situações irremediáveis. E esse tipo de movimento só piorou. Deixei de ler noticiários locais e nacionais. Minhas redes têm preocupações e reclamações cíclicas e redundantes. Sobre os mesmos problemas, sempre.

Achei que essa gritaiada do gigante ia funcionar, mas têm prioridades que falam muito mais alto.

Essa corrida presidencial está uma piada. De mau gosto, mas infelizmente afunilou no grito do ‘mais dos mesmos’. Não vai mudar nos próximos quatro anos, desculpe o spoiler.


Daqui uns dias vou pisar aí no Brasil.

Sinceramente irei por dois motivos apenas: rever parentes e alguns amigos. Não deu certo esse papo de saudade da terra, da comida, do cheiro, do calor, da brasileiridade, das belezas naturais. Esse tipo de viagem não é férias.

E é essa a contradição número 433 da minha vida, novamente: pelo mesmo preço de viajar para o Brasil eu poderia ficar de pernas pro ar em alguma ilha semi-deserta da polinésia francesa em um resort onde fazem massagem nas suas frieiras. Mas eu seria o cara mais desacoraçãozado se fizesse isso.

Aliás: não sei de onde o povo criou uma expectativa de que, toda vez que alguém volta de alguma viagem exterior, tem que trazer presentes e lembranças. Pô, eu que deveria receber presentes e lembranças, seus putos. Esse ano então foi acordado em assembléia na casa dos nobres de que não teremos visque, chocolates nem acepipes oropeos para jogar de avanço.


Lembre-se: esse blog morreu há seis meses atrás e não figura mais em nossa folha de pagamento.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>