A teoria do cachorro chutado

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Nessas nuances diárias de comentários trocados, farpas esmiuçadas e culpas ressentidas, resolvi publicar — pela primeira vez fora de uma mesa de bar — a ‘Teoria do Cachorro Chutado – Tomo Único Átomo’.

Essa teoria tinha o pitoresco nome de Raimundinha do Paguá. Aquela delicinha-beldade que se imaginava uma deusa nos bailes da colonha. Mas era… apenas uma desfrutável. (Note que esse nome-de-teoria definhou nos bons ventos que não assopram mais rumo ao impoliticamente incorreto.)

O cachorro-chutado tem sempre a sensação de desconfiança. A sensação de que vai levar um catiripapo a qualquer momento. Vagabundão, mesmo que o dono goste dele.

Assim é o Brasil, comentado aqui, aqui e em muitos outros artigos que mostram um brasileiro desgraceado por não atingir a perfeição de imagem especiosa.

Bem, a verdade.

Infelizmente o brasileiro tem um desvio de paralaxe violento da imagem que representa mundão afora. Um geocentrismo ufanista até entendível. Desvirtuado. Eu bem que poderia descorrer por horas um embate figurativo, mas vou colocar pequenas perguntas em perspectiva para reflexão:

  • Qual a capital da Austrália?
  • Aliás, Austrália é fácil. Qual é a capital do Quênia? Zimbábue? Botsuana? Congo? Equador? Suriname?
  • Tá, qualquer cidade da África. Ou meia dúzia de cidades da America Central. Nomes, vamos lá.
  • No que é baseado a economia da Nigéria? E qual é a forma de governo atual?

Difícil né? Que vergonha eu tenho de você que não sabe a capital do Congo. Esses países são pequenos, menos importantes ou com economia menores do que a brasileira. E é assim que o mundo olha a pátria-amada-idolatrada. Quem não tem interesse econômico, parentada ou alguma relação direta não sabe nada sobre o Brasil. Igual a você que não sabe nada sobre o Chade.

Culpa? Não existe.

Ninguém tem interesse. É apenas um país da lista dos 196 que tem por aí. É natural isso. Esse negócio de se preocupar muito com a imagem tem o nome carinhoso de baixa autoestima. Materialismo, poder, estátus, oh! Qualquer alcunha psico-sociável. Tentar criar uma imagem boa pra gringaiada não tem fundamento. Ou você acha que as maiores nações mundiais se preocupam com isso? Não gostou vem peitar. Achou o atendimento pífio? Vai visitar o vizinho.

E a capital da Austrália não é Sidney.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>