As boas-novas de Cambridge

Cambridge é uma cidade boa de passear. Quando está frio e ventoso – durante a queima da pestana na hora mais triste da tarde de inverno causticante, há a loja de fudge para se abrigar. Cambridge tem cheiro de fudge. E fudge, para quem não sabe, é um doce mais doce que o doce de…

A fila do correio

A fila do correio. Agradavelmente depressiva. O idoso que esquecera a razão de estar ali: resmungava baixinho, olhando contas e papéis e cartas e tudo mais que pudesse render razão para estar ali. Logo ao lado, a velha maluca. Velha e maluca. Com dois crucifixos enrolados em um barbante vagabundo de algodão. Gorro de lenhador.…

Lembrete para daqui a pouco

O fel desgraçado que ainda escorre no canto da minha boca serve como um sinal de que nunca me esqueça que o cinema, a fotografia e a música apenas retratam idéias maravilhosas irreais. A fotografia é um fiel retrato do impossível. Aquele roteiro melodramático do filme que passou na tarde friorenta de sábado é uma…

Minha lista pessoal; a versão 2017

Essa história de lista é longa e ainda tem muito o que render. Mas me amedronta o fato de que ela já tem 10 anos, constantemente atualizada, e não executei com excelência nem um terço do combinado. Minha primeira lista-das-dez-coisas-para-se-fazer-antes-de-morrer foi escrita há 10 anos. Era uma época em que eu não sabia direito…

Vitrola no phono; Spotify no optical.

O dia em que eu resolvi comprar um toca-discos do Fofão e tocar uns bolachões. Mas deixei o wi-fi no apt-X para equalizar o socorro digital. A música sempre foi um acessório de consumo secundário na minha vida. Aquela velha história de prioridades e dissociações sem qualquer responsabilidade. Minha geração é de uma época…

Os caçadores virtuais

Meu meio social virtual deixou de ser politizado desde o momento em que houve a dança da magna-cadeira presidencial brasileira. Não sei bem qual foi a razão, mas o foco geral degringolou da política ferrenha para alguns momentos pontuais e sequenciais: zica; gente pedindo ajuda sobre empregos no exterior; a olimpíada no Rio; caçar…

A teoria do cachorro chutado

Nessas nuances diárias de comentários trocados, farpas esmiuçadas e culpas ressentidas, resolvi publicar — pela primeira vez fora de uma mesa de bar — a ‘Teoria do Cachorro Chutado – Tomo Único Átomo’. Essa teoria tinha o pitoresco nome de Raimundinha do Paguá. Aquela delicinha-beldade que se imaginava uma deusa nos bailes da colonha. Mas era… apenas uma desfrutável.…