O ubi campi

Com a idade – que só damos conta que ela existe depois dos 25 – adquirem-se novos vícios deliciosos. A pantufa fofa; o conhaque aquecido na mão; o eau-de-vie delicado; o sono da tarde ensolarada de sábado; a culinária refinada; o carro esportivo que não corre como poderia; a música curada fora das dez-mais-mais do…

A fila do correio

A fila do correio. Agradavelmente depressiva. O idoso que esquecera a razão de estar ali: resmungava baixinho, olhando contas e papéis e cartas e tudo mais que pudesse render razão para estar ali. Logo ao lado, a velha maluca. Velha e maluca. Com dois crucifixos enrolados em um barbante vagabundo de algodão. Gorro de lenhador.…

Vitrola no phono; Spotify no optical.

O dia em que eu resolvi comprar um toca-discos do Fofão e tocar uns bolachões. Mas deixei o wi-fi no apt-X para equalizar o socorro digital. A música sempre foi um acessório de consumo secundário na minha vida. Aquela velha história de prioridades e dissociações sem qualquer responsabilidade. Minha geração é de uma época…

Os caçadores virtuais

Meu meio social virtual deixou de ser politizado desde o momento em que houve a dança da magna-cadeira presidencial brasileira. Não sei bem qual foi a razão, mas o foco geral degringolou da política ferrenha para alguns momentos pontuais e sequenciais: zica; gente pedindo ajuda sobre empregos no exterior; a olimpíada no Rio; caçar…

A teoria do cachorro chutado

Nessas nuances diárias de comentários trocados, farpas esmiuçadas e culpas ressentidas, resolvi publicar — pela primeira vez fora de uma mesa de bar — a ‘Teoria do Cachorro Chutado – Tomo Único Átomo’. Essa teoria tinha o pitoresco nome de Raimundinha do Paguá. Aquela delicinha-beldade que se imaginava uma deusa nos bailes da colonha. Mas era… apenas uma desfrutável.…

Rapidinhas, además.

Juntando tudo, dá um caldo; rapidinhas MadCap #339: /but does It float? Sempre que posso uso dithering Floyd-Steinberg. Faz bem e rejuvenesce. Quase uma onça troy de rapé sudanês por colhereta cheirada. “Todos são admitidos nas fábricas, exceto os dementes e loucos”. Meu defcit de atenção está chegando aos 14.533 pontos negociados na bolsa, atingindo…

O custo do relacionamento virtual-social

Aprendi uma palavra interessante dia desses: frenemy. É um termo antigo, que significa basicamente um inimigo que se passa por amigo. Ou um amigo que é amigo mesmo, mas um frenético competidor no sentido sujo da palavra. Como todo humano que preste eu tinha desenvolvido um conceito bem parecido de classificação de amizades pessoais; nada…