As boas-novas de Cambridge

Cambridge é uma cidade boa de passear. Quando está frio e ventoso – durante a queima da pestana na hora mais triste da tarde de inverno causticante, há a loja de fudge para se abrigar. Cambridge tem cheiro de fudge. E fudge, para quem não sabe, é um doce mais doce que o doce de…

A fila do correio

A fila do correio. Agradavelmente depressiva. O idoso que esquecera a razão de estar ali: resmungava baixinho, olhando contas e papéis e cartas e tudo mais que pudesse render razão para estar ali. Logo ao lado, a velha maluca. Velha e maluca. Com dois crucifixos enrolados em um barbante vagabundo de algodão. Gorro de lenhador.…

Lembrete para daqui a pouco

O fel desgraçado que ainda escorre no canto da minha boca serve como um sinal de que nunca me esqueça que o cinema, a fotografia e a música apenas retratam idéias maravilhosas irreais. A fotografia é um fiel retrato do impossível. Aquele roteiro melodramático do filme que passou na tarde friorenta de sábado é uma…

Vitrola no phono; Spotify no optical.

O dia em que eu resolvi comprar um toca-discos do Fofão e tocar uns bolachões. Mas deixei o wi-fi no apt-X para equalizar o socorro digital. A música sempre foi um acessório de consumo secundário na minha vida. Aquela velha história de prioridades e dissociações sem qualquer responsabilidade. Minha geração é de uma época…

Os caçadores virtuais

Meu meio social virtual deixou de ser politizado desde o momento em que houve a dança da magna-cadeira presidencial brasileira. Não sei bem qual foi a razão, mas o foco geral degringolou da política ferrenha para alguns momentos pontuais e sequenciais: zica; gente pedindo ajuda sobre empregos no exterior; a olimpíada no Rio; caçar…

A academia de ginástica

A academia de ginástica. O ato de puxar o ferro. A corrida exasperada na esteira com passos largos e o medo constante de cair da área útil. O esporte mais estranho do mundo. Onde nada te leva a lugar algum. E o sentimento de que nada mudou, impera. Eu tenho problema hormonal. Eu tenho…

Uma semana em fotos

Uma semana clicando Londres e região com uma smartcamera de smartphone. Um trabalho dificil e de qualidade duvidosa. Nunca tente comparar 8mp/24mm/f:2.8 de celular com 8mp 24mm/f:2.8 de uma reflex. O mais estranho é a operação deprimente de sacar um telefone para fotos: eu tenho a nítida impressão de que as imagens serão apenas fotos mediocres.…