A filosofia barata é um doce

A filosofia barata é deliciosa. Encaixa perfeitamente. Tende ao acerto igual a metodologia do bem-estar coringa de um horóscopo. Ajuda, esquenta, anima, conforta. É volúvel como um mantra repetido por centenas de vezes e que não fixa. Fácil de acreditar, fácil de esquecer. O problema é que ela não ajuda. Você não muda. O gelzinho gosmento em que…

A fila do correio

A fila do correio. Agradavelmente depressiva. O idoso que esquecera a razão de estar ali: resmungava baixinho, olhando contas e papéis e cartas e tudo mais que pudesse render razão para estar ali. Logo ao lado, a velha maluca. Velha e maluca. Com dois crucifixos enrolados em um barbante vagabundo de algodão. Gorro de lenhador.…

Os caçadores virtuais

Meu meio social virtual deixou de ser politizado desde o momento em que houve a dança da magna-cadeira presidencial brasileira. Não sei bem qual foi a razão, mas o foco geral degringolou da política ferrenha para alguns momentos pontuais e sequenciais: zica; gente pedindo ajuda sobre empregos no exterior; a olimpíada no Rio; caçar…

O comentarista de blogs

Como seguir vivendo se todo momento é agora, se todo lugar é aqui, se todo pensamento é compartilhado, por mais insignificante que seja? (…) Eram apenas figurinhas num banco de dados dedicado a gerar receita com publicidade. Uma horda ávida por tagarelar sem ponderação alguma, emitindo opiniões compulsivas sobre qualquer coisa como se esse desespero…

Associação dos Ateus Missionários.

O ateísmo é a nova religião da modinha. É cool ser ateu. A muleta do ateísmo se fincou nas redes sociais. Seguiram os mesmos passos das religiões de sucesso, como o cristianismo que teve sua verve no início da perseguição romana. Ou o tiro da culatra evangélica no memento mori em que o pastor bicou a…

Quanto custa a sua sinceridade?

Quanto custa a sua sinceridade? Quanto vale a sua opinião sincera, aquela que você não quer mais largar por preguiça de debater? A realidade tão murcha, enfadonha e cheia de bruzundungandisses das redes sociais são um asco convidativo. Uma fábrica fazedoura de lugar-comum e chanchanites de fotos dos horizontes desalinhados. Gente reclamona, gente queixosa, gente…