Superpoderes inúteis.

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Sempre achei que esse papo de poder voar, ter supervelocidade ou superforça, visão de raio X e outros badulaques dos heróis de quadrinhos era uma balela sem tamanho. Desde criança eu confrontava essas blasfêmias alucinadas com a realidade das leis da física e ficava puto com a audácia de insistir no mesmo dogma sem fundamento.

superpoderes inuteis

Como bom e pacato navegante de internet, dei risada dessa quadra aí de cima. Uma paródia dos superpoderes idiotas.

O que eu não percebi é que eu tenho um superpoder inútil.

Sim, sou um mutante, um xismen, um bastardo com superpoder além da média humana normal. Só a minha mulher sabia disso, até abrir o jogo neste periódico. Meu poder facilmente se enquadraria no gráfico acima, das coisas inúteis.

Consigo escutar hélices embaixo d’água. Vou explicar o fenômeno para não parecer que sou só um doidivanas pedante que bóia. Desde criança eu “sentia” o barulho de hélices de barcos. Não com o ouvido ou cabeça submersa, mas sim com o coco fora d’água. Algo como uma propagação crítica acústica que, rebatida em meu conjunto ósseo espinal, refletia mecanicamente na minha cabeça a aproximação de um barco. E não estou falando de barcos pertos ou facilmente localizáveis, mas sim embarcações com mais de 1km de distância. Algo como uma reverberação do som cavitante de baixa-frequência espinal.

A acústica notada por esse tipo de propulsão é tão nítida que eu tenho a pachorra de dizer se a embarcação está acelerando, constante ou então reduzindo a rotação.

Legal né. Uma coisa que só serve para avisar o vizinho de boiação na água que em alguns minutos uma lancha vai passar longe da gente.

bem interessante.

E você, tem algum superpoder idiota qualquer?

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.

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