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Ei, camarada: o que você faz aqui? Por que ainda insiste em ter este blog no seu feed? Por que visita esta estrutura decadente e sem vida há tempos? O Eldorado não existe, sinto-lhe informar. A banalização da informalidade e a mediocrização da informação — volátil e mal digerida — matou quem escreve mais de três parágrafos.

A notícia amadurece em questão de segundos e a putrefação já está no encalço antes mesmo de recitar três fonemas. O Twitter nos separou do lirismo abstrato de gerar e gerir um blog. Twitter é para texto. Pequenos textos, não se esqueça. Blogs, para imagens e elefantices arrastentas.

Duvido que você tenha ainda a pachorra e a paciência de chegar os olhos até aqui. Este post não tem figurinhas, tem mais de 200 toques e eu sei que você é um preguiçoso que ainda teima em tentar manter uma leitura sadia.

Eu me fodi. Odiei o Twitter e vomito ali apenas pensamentos idiotáticos. Aqui ainda é meu refúgio e subterfúgio. É a alcova escura e triste, isolada dos outros sadios e sãos, onde ainda posso inventar neologismos e palavras execráveis como “idiotático”, “mediocrização” e “elefantices arrastentas”. Todo esse sacrilégio em um único texto.

Estou velho.

Aliás, estou velho e a irresponsabilidade contextual está tão agressiva que as milhares de pequenas e intensas coisas boas, que eu tanto prezava e gostava de ostentar aqui, passam batidas da crucificação literária virtual.  Não sei o que é que está acontecendo. E não tenho como recorrer a algo que não seja fresco para tirar da inércia essa pachorrice toda.

Eu tinha um HD externo removível e portátil. meio terabyte de informações, quase sempre lotado. Fazia becape uma vez ou outra no mês. ele parou de funcionar e, pela primeira vez em dez anos de fotografia digital, perdi 60 fotografias não becapeadas. Perdi também umas 6h de trabalhos diversos, umas músicas não muito legais, coisas fúteis. Fiquei triste pelas fotos, mas percebi que nem isso me chateou.

Nada me chateia.

Não me estresso mais, não sinto raiva excessiva nem desconforto social. Talvez tenha me tornado um sociopata amistoso, uma dicotomia que não consegue se desvencilhar da contra-parte e que sobrevive como um bruma embaçada, que amiúde integra-se no bucolismo da paisagem inerte.

Tenho mais amigos. Sinto saudade de todas as amizades que já fiz e que me distanciei. Não existem reposições. Cada um risca com a ponta da faca a minha tez, com pressão moderada, suficiente apenas para deixar uma cicatrícula quase imperceptível, mas que me faz relembrar todos os dias, em um espelho fagófago, que me balda e tolhe minha solidão.

O mundo é político demais. Eu sou um velho bonvivant e que estou, definitivamente, em uma era errada. Falhei em seguir a risca os mandamentos da concupiscência social e material. Então vou me arrastando.

Este blog é meu alter-ego: arrasta-se como o dono, sufragado em desatinos.

premissa

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

0 comentários

  1. Se você fosse postar isso no twiter, vc faria 4 posts:
    – Estou velho, e odeio isso aqui!
    – Perdi algumas fotos por falta de backup, mas nada me chateia!
    – Tenho mais amigos!
    – O mundo é político de mais!

    E é por isso que também não gosto do twiter, é um bando de letrinhas mal jogadas que não fazem sentido nenhum, a não ser para o próprio autor.

    ahhh, e só li essa porra porque tinha uma figurinha no final, e por falar nisso, você é um mentiroso, você disse no início que não teriam figurinhas neste post! unf!

    ahhhh, um abraço procê!

  2. Por duas vezes eu tive um blog onde escrevia coisas… Na ultima tentativa, eu comecei escrevendo textos sobre coisas do cotidiano, sobre meu ponto de vista para algumas coisas e com a intenção de dar algo para pensar a respeito… dai o nome do blog… Thinking about

    Coloquei algumas bobagens no blog como videos e tal.. sempre o que dava alguma espécie de retorno era apenas as coisas curtas e sem conteúdo real.. perdi o tesão de ficar escrevendo no blog… escrever pelo simples ato de escrever acabou não sendo algo que me deu tesão suficiente de fazer… agora o blog ta lá jogado às traças…

    As novas gerações estão condenadas a um mundo de 140 caracteres e sem compromisso, escondidas por meio da possibilidade de anonimato que a internet proporciona.. tenho medo de como será a próxima grande onda das famigeradas “redes sociais”…

    Abraço

  3. Ah… mas eu sou teimoso e também brasileiro… eu não desisto nunca… e de fato, parei esses dias pra fazer as contas e já fazem quase 7 anos que escrevo a esmo no McPhystoland. Pelo puro, simples e singelo prazer de escrever. Sem esperar RT’s, DM’s, seguidores ou o caralho a 4. E como pra mim, a inspiração vem de uma vasta gama de fontes, nunca deixo de passar aqui e em mais outros lugares muito interessantes. E como o senhor já deve saber Dr. RV, o sr. é mentor, deste que vos escreve.
    Mas como tudo evolui e muda no mundo, o jeito é tentar seguir o fluxo e ver pra onde a maré leva. 140 caracteres pra falar de um determinado assunto, é pouco, é tortura! Mas confesso, meu lado masoquista até gosta do twitter. Eu simplesmente não consigo abandonar de vez o blog!
    E por assim ser, passarei aqui sempre. Sempre que possível.