Sistema Mindagr.am de instantâneos cerebrais.

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A Equipe de Prospecção Cyberbiomimética do renomado Campus Shenanigans / University of Cambridge (EPC.CS.UC) — da qual orgulhosamente faço parte — divulgou semana passada um estudo científico na SLA Biomedical & Cyber Sciences Division (Ed.02/13 pg.28) sobre o revolucionário SMG™ (Sistema Mindagr.am) Biomimético de renderização fotográfica que promete escangalhar ao limbo negro as tecnologias simplórias de upload fotográfico social.

Dr. Geofrey Mortimer S.C.A mdSC, professor líder do projeto, notou-se prontamente envaidecido na sessão de imprensa cuja equipe prescutou um pouco da avant-garde tecnológica em volta do experimento, ovacionados por aplausos, gritos de Urras! e excitação coletiva.

Pois, como não seria assim!

A tecnologia por si só

SMG Biomimético

O SMG™ Biomimético com circo-aspecto de moeda de chocolate semi-flexível é implantado na base do corpo caloso do cérebro com uma pequenina intervenção cirúrgica rápida e simples, em nada agressiva.

As benesses obviamente começam com o sistema catódico de captação neural de energia elétrica: a superfície rugosa do SMG™ permite o armazenamento de até 200mAh, o que garante radiofusão e processamento ininterrupto.

De funcionamento simples, basta que o implantado SMG™ pisque duas vezes seguidas para que a imagem percebida pela retina seja transformada em código binário puro e transmitido via info rede. Fechou os olhos e pensou na legenda. Abriu os olhos e voalá, foto publicada com todo o processamento textual de subtítulos já implícito.

Quão admirável é a tecnologia! Soberba!

O futuro do fotograma

A fotografia plana acabou. A nova ordem mundial agora é estereoscópica. Foco e profundidade de campo têm renovada importância. Filmetos de poucos segundos poderão ser neuroguiados e postados como sequenciais GIFes ou até — veja você — video e áudio para canais sociais de vídeos. Áudio? Sim, áudio! O SMG™ capta ondas mecânicas transmitidas por neurosimbiose auricular e as converte em formatos conhecidos digitais de dois canais.

A imagem estática e perpétua também acabou. Uma fotografia recém-inserida por uma suposta qualquer pré-pubere dona de canal famoso na rede social SMG™ (comentaremos a rede a posteriori), inicialmente detratando um vivaz galanteador na festinha raven pode, no decorrer da esbórnia, morfar para novas tomadas de shots e flashs, vergando legendas para elogios ou as encavalando em ressentidas reclamações.

Com a tecnologia do hypertexto dinâmico, pessoas podem interagir, dar notas e sugestões para outrem loquaz usuário e até o ajudar em situações de emergência corriqueira.

Três vivas para o SMG™!

A transparência da confidencialidade

O SMG™ Biomimético passa longe da chamada de confidencialidade pessoal, assim como qualquer rede social moderna. Além da capacidade de transmissão de dados, o SMG™ ainda possui uma capacidade infernal de armazenamento de dados adicionais: propriamente falando um segundo hipocampo, uma cópia artificial eléctrica entre o CA3 e o CA1 que transforma idéias momentâneas em lembranças de longo-termo.

Quão inteligentes tornar-nos-emos!

Primeiras imagens e amostras visuais

Abaixo a primeiríssima imagem subida para a grande rede mundial de computadores através do SMG™. Controversa, o fotograma estereoscópico mostra o Dr. Mortimer em um flirt explícito com sua secretária Pauline R.:

Mortimer and Pauline.

Vesgueie levemente para montar uma terceira imagem central entre as duas já observadas: assim a estereoscopia se aplicará e a visão tridimensional se fará viva. As bordas escuras são resquícios da íris humana, que devidamente filtrada por pós-processamento, deixará a imagem mais rica.

Um viva ao Dr. Mortimer, #lek #doido da #EPC.CS.UC!!1!

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.