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Trabalho em um parque pequeno. Fotografo quase tudo que vejo por aqui. Agora, pela terceira primavera seguida, noto que não há muito mais o que se retratar. O tempo é apenas um desvio da realidade, subjetivo e sujeito a variações. Tudo o que observo já foi clicado. Evito a idiotice de repetir as mesmas fotos por comodidade. Os ciclos são iguais. Ainda acho foto de flores o ápice da mediocridade. A energia dos retratos já não sofre ganho algum e a entropia conhecida é agora apenas constante.

Após esse prolegômeno desviado existe a veia de fato. Insisti em flanar pela ionosfera do mundinho e achei vida que ainda ruma no filete, demandando tempo e pensa para clique.

Quase adentrei ao ciclo do carbono nessa estiagem fotográfica. Mas a teima revigorada insiste em punhaladas distantes:

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Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

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