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Quando o inverno bate forte em Londres tudo fica mais calmo. O transporte público quase pára, as aulas são suspensas, empresas mandam funcionários embora antes. E todo mundo sente-se mais grato pelo bad weather. Adultos fazem bonecos e jogam bolas de neve uns nos outros. Alguns se entocam em uma quase-hibernação. Fazem estoque de comida para evitar ao máximo o contato com o ar congelante. Outros, aproveitam o pastiche todo e passeiam com seus filhos, namorados, parceiros ou cachorros. E não ligam se está tudo branco ou se a neve, de fato, nunca é suficiente. Quando o inverno bate forte em Londres a história nunca se repete. Todo mundo vai reclamar e fazer beicinho. Mas no fundo, a quebra-de-rotina entorpecente faz com que todos fiquem, de fato, maravilhados com a friaca de curtíssima duração.

Algumas fotos abaixo, clicadas entre um zero grau cômodo e um menos dois graus um pouco incômodo:

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Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

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