1880-1900

O início de tudo

A história da propaganda no Brasil começou em 1808, quando nasceu a Gazeta do Rio de Janeiro, nosso primeiro jornal. Esse periódico publicaria o mais antigo anúncio de que se tem notícia: “Quem quiser comprar uma morada de casas de sobrado com frente para Santa Rita, fale com Joaquina da Silva, que mora nas mesmas casas…”

A partir daí, pequenos textos sem ilustração, alguns sem título, do tipo “classificados”, começaram a oferecer serviços: professores de línguas, casas à venda ou para alugar, ofertas de escravos, recompensa para quem encontrasse algum negro fugido, como um certo Felipe, de Rio Claro, “com estatura menos que regular, cheio de corpo, bunda grande, de cor fula”.

Por volta de 1880, os jornais Mequetrefe e O Mosquito inauguravam os reclames ilustrados. Desenhos, litogravuras e logotipos passaram a ocupar um espaço cada vez maior, sobretudo depois de 1898, quando surgiu O Mercúrio, jornal de propaganda comercial. Impresso em duas cores, esse periódico contava com ilustradores como Julião Machado, Bambino e Belmiro de Almeida.

Os grandes anunciantes eram então os hotéis, as lojas de confecção e os fabricantes de remédios.

1875-1879

Na sociedade escravocrata, o negro era a suprema mercadoria. Entre as suas qualidades, anunciadas nos jornais, estavam o ser “fiel, humilde e obediente”. As cidades cresciam e com elas a oferta de bens e serviços, que iam de hotéis a companhias ferroviárias, bondes a burro e tílburis. A ilustração passara a ter uma função central nos reclames e os textos eram compostos com uma grande variedade de tipos.

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1880-1884

Os jornais estampavam páginas inteiras de reclames. Os anunciantes começavam a se preocupar com a fixação de sua marca na mente do consumidor, através de logotipos acompanhados do respectivo endereço do estabelecimento. O comércio crescia. A presença norte-americana já se fazia sentir nos anúncios de artigos importados. E a riqueza das cidades atraía companhias líricas e teatrais estrangeiras.

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1885-1889

Surgiam cartazes nas ruas de movimento. Sugestivos desenhos ilustravam, com grande esmero gráfico, anúncios de remédios, de modas e de lojas. Paris ditava as regras da elegância, entre as quais o uso de guarda-sóis com cobertura de seda, de linho ou de lã, enfeitados com rendas. Era chique dar nomes franceses às lojas de confecções. A propaganda de remedios muitas vezes associava seu produto a um “santo milagroso”.

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1890-1894

Entre as cem maiores fábricas do país em 1907, três eram cervejarias (Brahma, Antarctica e Paraense). Mas importavam-se muitas marcas de cerveja européias, entre as quais a Holstia. Os avisos da São Paulo Railway refletiam o progresso nos meios de transporte. Em 1906, essa empresa havia transportado 1 298 099 passageiros, contra 422 355 em 1890. A higiene pública dava um passo adiante com os serviços de esgoto encanado e latrinas.

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1895-1899

O chapéu era peça obrigatória na indumentária do homem e da mulher. Em 1898 a indústria chapeleira do Brasil produziu 1.400.000 unidades. No entanto, “se o comprador souber que o chapéu é nacional, embora lhe custe 60% menos, não o quererá!”, lamentava, em 1901, Antonio Francisco Bandeira Junior. As telhas de cimento procuravam imitar as de ardósia, utilizadas nas construções de estilo normando, muito em voga em São Paulo.

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