Poesia

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A melhor e mais emocionante poesia que já escrevi na minha breve vida foi em um guardanapo. Caneta tinteira, curvas descendentes de cada letra feita propositadamente com traço mais lento. O sorver do papel fez com que as letras ficassem com um inconfundível estilo retrô, abauladas nas curvas, delgadas nas serifas.

O texto, de levantar a penugem da nuca.

A combinação de desejos, aspirações e devaneios em versos fez a moçoila sair da inércia de sua cômoda rodinha de amigas de um barzinho qualquer para olhar dentro dos meus olhos lascivos. E aquela noite foi extraordinária.

Olhares lascivos por palavras perfeitas ensinaram-me uma coisa vital: anote o telefone da mulher. Se você não for vê-la nunca mais, que pelo menos ela lhe dite o que foi escrito. É cretino isso, eu sei, mas pelo menos vocês saberiam o que me fez ganhar um beijo.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>