Pensando em voz alta

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Dez anos. Esse é o tempo que passou das minhas últimas aventuras desvairadas. O tempo, ingrato, corre sem parcimônias. E a vida, que deveria ser intensa e cheia de novidades avassaladoras, insiste em manter alguma folga entre uma emoção e outra.

A vida é assim, cheia de nhéco-nhéco.

Uma hora, correria desenfreada.

Outra, calmaria aterrorizante.

Dez anos. Há dez anos não pulo de cima de uma cachoeira. Há dez anos não saio com amigos e mochilas nas costas. (Aliás, nem eles!)

Não é falta de tempo. Não é falta de amigos. E não é a falta da mochila que inibe. É a vida, que envelheceu dez anos. Ficou adulta, essa vadia velha.

Mas a acomodação incomoda a vida velha, vadia. Só esperar. Ela se desespera. E vira uma vida serelepe e peralta, cheia de vontadisses e meninices.

Espero.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

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