O unusual cotidiano londrino.

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A vida londrina é muito interessante. Descobri que, diferente dos locutores da BBC, o povo aqui come algumas letras das palavras. No metrô por exemplo, Leicester Square pronuncia-se algo como ‘leissstquér‘. O escocês fala ‘Rrúud‘ para road e por aí vai. Esse é o charme de tentar aprender essas nuances locais.

Mas vamos ao que interessa: o cotidiano. Café da manhã com crumpets, umas panquecas gordas e pequenas, deliciosas, pricipalmente com Marmite por cima.  Esse papo de que inglês come mal pra caramba é a maior decepção que me fofocaram. A alimentação aqui é foda demais. Tudo que você imaginar que exista em algum lugar do mundo, você encontra seguramente por aqui. Só come mal quem quer.

Essa é para os viciados em carros: imagine que, com um salário-pobreza de uns £3000 (o que qualquer profissional brasileiro peso-meio-medio recebe) consegue-se comprar qualquer marca de carro que você sempre sonhou. Um Porsche 911? Coisa de £10.000 (pouco mais do que três salarios seus). Ferrari você encontra umas Dino GT4 por menos de £20.000. Aston Martin DB? Mais caro, porque é mais novo: £32.000. Agora BMW, Audi, Mercedes, e qualquer outra coisa de mais de R$50.000 aí no Brasil você encontra aqui por £5.000. É, CINCO MIL. Durma com isso.

Minha câmera (ih lá vem ele de novo com esse papo) fudeu de vez. Então estou em um período sabático da fotografia, onde só registro merdaiada com celular. Nada de mais e sem truques. Estou juntando umas patacas para um auto-presente óptico prime L. Aguardem.

Fotos, como sempre, para mostrar o que acho por aqui:

Um Cooper antigão. O povo aqui gosta muito e cuida dessas tranqueiras.
Boarding tipografado pela minha irmã. Letra foda de família.
Nave principal do Museu de História Natural e um esqueleto de dinossauro.
Torre do Museu de História Natural. A gente encontrou a Lucy original, aquela macaca gnoma que o povo fala que é nossa ancestral.
O homem espera o trem com um ramalhete de flores vermelhas em uma estação de trem ao sul de Londres. A maioria das pessoas preferem os trens de superfície por serem baratos, rápidos, confortáveis e com uma vista bacana do trajeto, ao contrario do metrô. Ah, o povo aqui compra muita flor. E sempre sorri.
Pôr-do-sol às 20h no parque Brokewell. O céu britânico no verão é de um azul surpreendente. E o sol realmente é aquela piadinha de que é igual luz de geladeira: ilumina mas não esquenta.
Isso aí é um Smart preto com detalhes laranjas. E essa entre o retrovisor e a lataria é uma teia de aranha. Tem gente por aqui que não está muito aí com o carro. Igual uma Ferrari Scaglietti com umas cagadas de pássaro na lata, que vi hoje.
Uma BMW 328i por £2200. Preço de chevettão.
Lápis-baqueta. Aham, HB#2 com grafitão, para fazer um pagode na hora do sketche.
Esse tá caro, mas é um bolachão do MJ Thriller 25 anos,
com a capa impressa no próprio vinil.
Seção roque-paulera da HMV, a loja que é a dona daquele cão que escuta gramofone.
Chinatown sempre lotada, com umas lanternas decorativas pra gringo ver. E eu não tinha visto essa véia bocejando na foto.
TV de chinês: pataiada defumada na vitrine, esperando para ser fatiada e devorada.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.

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