O macaco-bigodeiro do terno tuxedo Gióia Puppeta

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o macaco-bigodeiro do tuxedo Gioia Pupetta
O Macaco-bigodeiro” (Saguinus imperator — Goeldi, 1907) é um miquinho fedorento e mal-agradecido. Famoso meio-quilo, pequenino, de corpo esguio e rápido, pelagem espessa, seu maior atrativo visual é o imenso bigodão-de-arame que ostenta como um baronete vivaz.

Seu cacoete irritante é alisar — em uma frenesi tremética — seu bigode com as mãozinhas pretas, tal e qual uma mulher que recém chapeou seus cachos cabelosos.

Migratório para a grande capital federal, o macaco-bigodeiro sente-se atraído pelo “eldorado salarial”, ignorando quaisquer choques culturais, climáticos e organizacionais. Chegam no oba-oba. Reclamam. E como reclamam! É o valor fora-da-realidade das moradias, da seca, do calor, da lonjura, da falta de nomes nas ruas, da falta das esquinas, de gente feia.

Mostram os dentinhos serrilhados na menor presença de ameaça à terra natal. Tentam gentileza e percebem sutileza. Descobrem que não existem empregos decentes que não rocem a barriga na servidão pública.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.

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  1. Essas raças chegam a Brasília de pau de arara, onibus, e avião, são desde o Rio Grande do Norte, ao Rio Grande do Sul, são desde ajudande de servente a funcionários federais.