O existencialismo otimista.

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Keeping an eye on the world going by my window

Taking my time, lying there and staring at the ceiling

Waiting for a sleepy feeling

Talvez a humanidade não tenha sido feita pra felicidade.

Como um antigo que sempre dizia que não “portávamos a informação genética” para aceitar a idéia do infinito, talvez tal pricípio se aplique à idéia que temos do bonheur.

Infindável tristeza.

Para alcançar a prática da felicidade uma pequenina mudança passa a pôr em jogo a própria existência do espírito. Para ascender ao estado final das coisas, uma tal saturação de contentamento e de prazer força toda a inquietude abolida.

O que se tem hoje é apenas uma idéia vaga, imprecisa e, principalmente, nociva desse elemento vital.

E a impossibilidade da existência infinita é o fim de toda a imortalidade. É o materialismo, rôto, escarnecido. O ateu que sofre da crise de menosprezo, da amargura da solidão. O sentimento de alma que o corrói e expele o gozo de que algo mais existe e o atormenta. O próprio corpo, preciso, forte, lúcido e preparado, independente que se faz, sente essa presença coexistente.

É o desespero de ter que acreditar que um Deus exista.

E aí toda a felicidade que dantes esquadrinhada a se alcançar, solito e independente, molda-se em pedacinhos de fé indissolúveis. Chama essa força sei-lá-de-onde de qualquer coisa: alma jamais. Deus, criador ou outra coisa, jamais.

E o corpo materialista e cético se odeia por esses lapsos piscantes de alma etérea.

Desespera-se.

E você nem imagina o quanto.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

0 comentários

  1. Caríssimo, belo texto. Um texto com imagens cheias de vitalidade e outras cheias de espinhos. Gostei, gostei sim. Meu velho amigo Spegel, também gosto muito quando você inventa essa nova língua portuguêsa toda sua. Acho que o Rosa, o “Guima” baixa em você. Então surgem esses agás inesperados e outras coisinhas mais. Bato o olho e já sei que o “Guima” tá encostado no Spegel. Spegel poetósofo, soda cáustica misturada com cerveja, você está em forma. E as fotos então? Belas, arte purinha, o talento de sempre. E os desenhos? Ah, os desenho sempre me surpreendem, e blá, blá, blá, não vou ficar jogando chuvas de confetis. Spegel, já pro Primeiro Mundo! Abraço deste amigo.

  2. Talvez um dia os ateus e os religiosos surpreendam-se quando descobrirem que o sentido de tudo era somente fazer as coisas com paixão durante a vida, parafraseando Michel Melamed em alguma entrevista: “o sentido da vida é se apaixonar, por qualquer coisa que seja: um homem, uma mulher, um amigo, um ofício”…