O dia depois de amanhã nevado.

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Dizem que a tradição inglesa é de nevar um dia por inverno. Ano passado foi o cão-babão e esse ano já vi 3 neves aqui nas redondezas. Tomara que continue desse jeito.

Aliás, a inglesada pode reclamar o que for, mas eles curtem a neve. Eu estava na janela, só matutando uma foto e como ela ficaria interessante com a perspectiva perpendicular, quando passou dois camaradas jogando bolas de neve um no outro.

Todo mundo na rua começou a aprontar! Não pensei duas vezes, saquei uma meia duzia de pilhas recarregáveis velhas, minha câmera caolha (ia ser melhor que celular que seria melhor que nada) e lá fui eu pisar no gelão. A primeira foto foi a mais fenomenal: a do Porsche embaixo da luz de mercúrio. A meta estava cumprida então saí despreocupado pela região. Deu essas fotos despretensiosas abaixo, com muita neve e flocos impressionantes.

E aquela frase de que lá fora tudo fica mais silencioso e melancólico quando neva é verdade. O silêncio existe e é explicado por física. A melancolia vem do preto-e-branco transformado.

Meu Facebook e Twitter lotou com fotos, mensagens e gente feliz da vida. A maioria ingleses exaltados com mais uma nevada. Agora a vergonha alheia foi a brasileirada que se acham os insiders e, como bons grumpies da cornuália, lá foram reclamar que a neve parava Londres. Ah vá! todo mundo sabe que a neve pára Londres justamente para você ir lá fora esfriar os cornos.


Pé-de-cão.

Pinheiro no descongela.

Toco no esquema

Grafismo no barco residência.

Convés e cordas na geadinha.

Uma 110 legal, com um rack ridículo e uma barraca de teto australiana.

Seguindo o pato pelo rastro.

A mão que fotografa é a mesma que esmaga.

Pond congelado, mato vermelho de frio e uma rachadura estranha.

Toco de amarrar bóte. Tâmisa ali, marronzento.

Dois gaviões arrancadores-de-olhos-de-peixes.

Passaraiada louca da vida.

O feltro tava caindo.

O banco do homem-sem-costas.

Todo mundo tem cenoura em casa, pelo visto.

O boneco de neve anão. Branco. Branco de neve, o boneco. Coisa assim.

Aham, aquela marca de sabonete meio estranha.

A tal da foto que falei ali em cima.

Bicicletas no relento.

Açúcar de confeiteiro.

Cockpit da hayabusa.

18 segundos de semáforo em f/11.

Trem, carros, calçada, cano, neve, light blur, dof de flocos de neve na lente, estrelinha do f/alto. E ficou legal.

Ele mesmo, o espelho dos cento e oitenta graus.

Roda de bicicleta jogada no mato.

Uma Evoke, gelada.

E um video meio timelapse mas que ficou diferente, ali no topo. Não é HD pois é feito com câmera vintage pré-modernista:

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.

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