O comentarista de blogs

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Como seguir vivendo se todo momento é agora, se todo lugar é aqui, se todo pensamento é compartilhado, por mais insignificante que seja? (…)
Eram apenas figurinhas num banco de dados dedicado a gerar receita com publicidade. Uma horda ávida por tagarelar sem ponderação alguma, emitindo opiniões compulsivas sobre qualquer coisa como se esse desespero servisse para confirmar sua existência. Discussões em que o único objetivo é vencer, sem nenhum espaço para a empatia, nenhum sinal de reconhecimento do outro. Vence quem posta o primeiro comentário ou afeta o descaso mais sarcástico, a ironia mais rasteira, substituindo qualquer vestígio de emoções humanas genuínas. Uma vida inteira reduzida a um jorro de texto que não passaria pelo crivo do filtro de spam mais rudimentar.

Digam a satã que o recado foi entendido, Daniel Pellizzari

o-troll-da-internetEu não conseguiria demonstrar uma opinião mais ríspida e memorável para a nova geração que mata a rede a cada comentário idiota replicado. A idéia primordial e rudimentar da internet era colaborativa e — talvez, vai lá saber — um tiquinho comunista. Lá nas priscas eras da comunicação virtual as pessoas ajudavam as outras. Foruns eram maravilhosos. Blogs eram vertentes de bons textos e literatura fora de livros. Não existiam redes sociais: a internet era a rede social.

Não sei onde o Berners-Lee errou, no final das contas. Mas esse negocio de internet perdeu a graça há tempos.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

Um comentário

  1. First… hahahah desculpe mas não pude perdoar a deixa…

    Foi-se o tempo em que se podia conhecer pessoas pela internet sem medo… onde pra conseguir mandar uma foto tinha de conseguir alguém que tivesse “escaner” e demorava um monte pra enviar…