O Camaleonte de terno Henry Needle & Sons

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O camaleao de terno Henry Needle & Sons
O camaleão (Chamaeleo chamaeleon), ao contrário do que todo mundo pensa, não é um ser mimético-dinâmico. Apesar do fotocromismo epitelial, não consegue se desenhar em um traje formal, o que o torna um cidadão como outro qualquer. Gosta do corte rigoroso tailor-inglés. Mimetiza com as gravatas: estampas, cores e texturas, ah, estas sim, ele imita com perfeição.

Fidalgo de ministro-desembargador-ajuizado do terceiro prédio espelhado do setor de altarquias sul, o camaleonte inequívoco mostra-se seguro na sagacidade parternal que o cerca. Aplica com êxito danoso a carteirada que o transforma em autoridade-de-caserna.

Tem no repertório as frases claustrofóbicas: “Sabe com quem está falando? / Sabe filho de quem sou eu?”. Exerce seu direito em paz. Até hoje não existiu calango que o peitasse. Fuma tranqüilo uma cigarrilha de filtro de carvão ativo em ambiente fechado. Lambe as costas de mulheres em boates, com sua rápida língua de 23 polegadas. Gosta do salzinho do suor sabor quelque parfum. A lei não é para ele, definitivamente.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.

0 comentários

  1. É, Brasília tem muitos, porem muitos que não são ninguem, usam somente o repertório citado mas no bolso tem uma carteira de identidade verde expedida pela secretaria de segurança pública.