Minha lista pessoal; a versão 2017

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Essa história de lista é longa e ainda tem muito o que render. Mas me amedronta o fato de que ela já tem 10 anos, constantemente atualizada, e não executei com excelência nem um terço do combinado.

Minha primeira lista-das-dez-coisas-para-se-fazer-antes-de-morrer foi escrita há 10 anos. Era uma época em que eu não sabia direito como o mundo funcionava. O tempo passou, não fiz muita coisa lá citada e a ideia não rendeu paçoca de pilão como deveria.

Outrossim resolvi rever alguns dogmas e anátemas complexas que cerceavam todo o ideal adolescente e reciclei todos os paradigmas para assuntos menos babacas (ou o que lembrei e que pudesse ser, de fato, babaca).

Abaixo a versão atualizada 2017, comentada e revista (v: 2001 / v:2006 / v:2009 / v:2013 / v:2016), que deverá ser reciclada e execrada daqui um tempo. Os itens velhos e idióticos continuarão presentes, como prova de que o passado é um monstro celenterado como uma esponja babenta.

Legenda: realizado com sucesso / parcialmente realizado ou em andamento 

Estudar, aprender ou desenvolver
  1. Caligrafia, tipografia e lettering. Aprender, de fato, como ser bom com esse assunto que ainda é empírico e nada científico.
  2. Fotografia conceitual. Médio formato, composição e criatividade abstrata. Resumindo: levar a sério esse negócio.
  3. Teologia I. Ler a Bíblia, Alcorão e Torá. Tecer relação temporal entre os livros e tentar compreender os assuntos cruzados. Conhecer religiões asiáticas antigas e entender quais demônios atormentados × salvadores consagrados são recorrentes entre elas.
  4. Teologia II. Tentar assistir (ou participar) eventos, cultos e missas de religiões diversas.
  5. Idiomas. Aprimorar o inglês, estudar o novo acordo ortográfico português e aprender um alfabeto diferente. Ainda na esperança de ler / entender / traduzir / decodificar uma página aleatória de algum escrito antigo.
  6. Música. Aprender La Bamba/Stairway to Heaven no violão. Ou qualquer outro tipo de cordas.
  7. Livros. Ler. Ter.
  8. Política internacional. Trabalhar com o governo, escutar histórias de bastidores, informação privelegiada, secreta, fazer parte do outro lado da moeda.
  9. Ilustração. Finalizar uma linha eficiente de ilustrações e gravuras e tentar usá-las de uma maneira mais profissional.
  10. Arduino / Raspberry Pi. Conhecer a rotina, eletrônica e criar alguma engenhoca que realmente seja util.
  11. Cinema 4D. Aprender a modelar de forma acadêmica e estruturada, nada de bonecão de argila feito no facão.
  12. Impressão 3D. É uma resposta contemplativa e recompensada do item acima. Não terá vazão enquanto não existir a modelagem
  13. Pilotar um drone. Aprender a domar essa criatura dos infernos e ser responsável ao ponto de não perdê-lo na floresta de Sherwood.
Planejar, executar ou fazer
  1. Horta. Primeira tentativa pós-moderna não funcionou: os caramujos selvagens a destroçaram. Talvez alguma coisa suspensa, planejemos. A horta reduziu de tamanho e está há 1 ano produzindo temperos. Sucesso.
  2. Escultura de madeira. Esculpir ou replicar uma obra do meu avô paterno.
  3. Violino. Resgatar estudos e gabaritos de luthieria do meu avô materno e tentar refinar/aprimorar com estudos físicos de som e dinâmica de madeiras.
  4. Bonsai de Araucária. Plantar um pinhão e tentar fazer um neagari com a copa em forma de taça.
  5. Trabalho de marcenaria/carpintaria. Fazer mais e comprar menos. Adaptar e finalizar.
  6. Faca. Construir uma faca completa. Com bainha em couro de veado.
  7. Compor uma música. E achar um violeiro para musicar os versos que farei.
  8. Escrever um livro. Escrever. E não pensar no futuro do resultado final da obra.
  9. Tocar em animais inéditos. Baleia, tubarão e tubarão-baleia. Porco-espinho, tatu, esquilo e arminho. Coruja, bicho-preguiça. Tucano, arara. Tigre, leão da montanha e cheetara. Carcajou, kinkajou e panda vermelho. Pangolim.
  10. Plantar uma árvore. Continuemos a empreitada para sempre.
  11. Pular do topo de uma cachoeira alta. E tentar sobreviver.
  12. Pular de uma ponte. E tentar sobreviver.
  13. Pular da plataforma de 10m. E sobreviver.
  14. Nadar pelado. Pode ser em piscina pública, privada, praia, rio ou lagoa calma.
  15. Voar de balão. O balão tem que sair do chão por mais de 15 metros, não ter cordinha segurando e o vôo precisa durar mais de 15min.
  16. Voar de planador. Voar ou pilotar, vai da confiança do instrutor.
  17. Voar de dirigível. Essa é inspirada no Dr. Jones Jr./ Henri Jones Sr. quando fogem da Alemanha nazista. Acho difícil.
  18. Andar em um tanque de guerra. Para saber como é um treme-terra por dentro.
  19. Entrar em um submarino nuclear. Para saber como é miserável a vida de um marinheiro-jonas embarcado numa baleia metálica.
  20. Aprender manobras de Queda Livre AFF. E flanar por mais de 30 segundos sem ter alguém te encoxando.
  21. Andar descalço em superfícies diversas. Musgo, gelo, neve, areia fina, praia de seixo e sal de salar.
  22. Retratos. Fotografar pessoas aleátorias e não conhecidas e escutar histórias por trás de pares de olhos.
  23. Finalizar o album de fotografias Terras Altas. Viajei em 2011 e aquele livro de fotos dos Andes ainda está pelos 80%. Tomai vergonha na cara, infidel.
  24. Morar em outro país. E aprender a cultura local sendo insider, não turista.
  25. Portfolio online. Finalizar, pelo menos. O monstro tem 16 anos de história e não tem nada para mostrar.
  26. Rally Mongol. Participar. Montar o carro, produzir rota e fotografar algumas coisas entre um choro e outro.
  27. Dormir 4 noites no Explora Patagônia. O fato de dormir quatro noites em um hotel na beira das Torres del Paine é porque o processo todo foi um sucesso pessoal.
  28. Plano de evolução profissional liberal. Finalmente levar mais a sério meus frilas e começar a chamar eles de projetos em andamento.
  29. Novas tecnologias. A velhice limita o conhecimento e a aceitação de novas tecnologias. Aprender fazendo, exemplificar e tipificar.
Conhecer, visitar, apreciar ou invadir
  1. Dois novos países por ano. Esse é outro tiro longo, mas muito mais tangível no momento.
  2. Deserto do Atacama,Salar de Uyuni, Macchu Picchu. De preferência por terra e em um carro grande com um bagageiro carregado de milho, galinha, carneiro e bambu. Ou em uma moto.
  3. Tribo indigena. Conhecer uma que sirva macaco sapecado para turista xarope. Quarup seria o píncaro.
  4. Novas regiões. Com um carro, mapas e perguntando para locais (sem tecnologia ou sistemas de navegação)
  5. Antartida. Passar uma noite em uma base na Antartida.
  6. Himalaia. Conhecer um acampamento-base de qualquer montanha da região.
  7. Cerro Aconcagua. Passar na frente. E subir aquele troço.
  8. Uma praia deserta e acampar nela. E ficar a noite inteira contando estrelas.
  9. Uma mulher para se casar. E construir uma vida juntos.
  10. Pessoa de idioma difícil. Que a comunicação se dê por gestos ou tentativas.
  11. Lugares inóspitos. Passar um tempo em lugar isolado e desértico, longe de tudo e de todos.
  12. Show do Pink Floyd. Aquela lenda urbana de que um dia David Gilmour e Roger Waters vão tocar juntos, novamente.
  13. Show do Led Zeppelin. Sim, outra lenda. Vai que, né?
  14. Show do U2. Tá, tá, é um saco o Bono Vox ativista revoltadinho, eu sei. Mas pelos velhos tempos.
  15. Show do Eric Clapton. Um showzinho de blues dele estava de bom tamanho.
  16. Show do BB King. Ele tocou em Curitiba, Não fui. Tocou em Brasília, não fui. Tocou em Londres. Não fui.
  17. Butão. Coréia do Norte. Cuba. Porque é difícil. Porque Fidel tá indo. Porque os americanos vão explodir tudo.
  18. Assistir F1 em Silverstone. Pode ser team garage, paddock ou puleiro. O que der, tá valendo.
  19. Ver WRC na Espanha. Ou Finlândia, com neve.
  20. Ir ao Goodwood. E ver os clássicos fazendo patetisse.
  21. Ver os Caras da TT na Ilha de Man. Ou tentar ver, a coisa é meio bruta.
Ter, manter ou reter
  1. Lista de desejos da Amazon. Alimentar a lista para definir prioridades e focos. Começar a ticar alguns itens.
  2. Câmera fotográfica. Dessas grandonas, com lente gorda, cheia de botões e coisas penduradas. Um modelo que o segurança do Museu do Ipiranga chame de câmera profissional.
  3. Um relógio de pulso. Bom, cheio de ponteiro e luzinha e botão e barulhinhos.
  4. Filho. Deve ser um inferno. Ou o paraíso. Só tendo pra saber. Opiniões; já escutei todas.
  5. Um veículo 4×4. Pra poder subir em um gramado que seja impossível para um carro normal.
  6. Cachorro. Grande, burro e inteligente. Tudo ao mesmo tempo.
  7. Gato. Daqueles que comeriam a metade do rosto do dono que morava sozinho caso tenha morrido. E pra transformar a vida do cachorro acima em um stress sem fim.
  8. Carro antigo. Era para ser um Porsche refrigerado à ar. Ou um Mazda Cosmo. Mas qualquer velharia, nas condições atuais, serve. Para ter dor de cabeça e despesa. E saber qual a procedência de cada parafuso.
  9. Escultura assinada. Gente adulta tem escultura assinada ou pintura catalogada.
  10. Casa própria. Uma casa própria com personalidade e uma parede com fotos.
  11. Videogames. Sim, gostaria de tê-los, um dia.
  12. Amigos. Mais amigos, menos guerras. Acho que é assim que funciona. Tá difícil, alguns já começaram a morrer de velhice. Sim eu tenho um monte de amigo velho. E quase nada de novos amigos novos.
  13. Milhas para vencer. Ter milhas para vencer é o resultado de uma equação complexa e profunda de sucesso.
  14. Um par de alianças de platina. Para celebrar os 10 anos de casado. Celebrar na Italia, França ou Japão. Vai da freguesa.
  15. Uma caneta flex Namiki Falcon. E algumas tintas diferentes de vidrinho grosso.
  16. Som hi-fi. Com amplificação separada dos inputs e alto-falantes com divisores de frequencia real.
  17. Uma vitrola. E uns discos. A lista começou aqui.
  18. Uma máquina de fazer pão. Para acordar com cheiro de pão, oras.
  19. Um blender. De copo de vidro, daqueles que fumicam e despedaçam smartphones.

É bom passear os olhos e perceber que alguns desejos eram grandes e que hoje em dia são apenas realizações que estão aos pés de atividades muito mais épicas. Tem algumas coisas

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.