Menos, demais, eu.

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Esse descaso me faz abandonar muitos dias bons no cais da melancolia.

Aquelas pessoas rôtas não me conhecem mais. Não conseguem mais distinguir qual o meu real significado de vivência. Existi em um mundo ignorado que apenas me mostrou que o ignorado era eu no mundo. Lentos e lentos mundos desconexos em pensamentos que ainda assim não me deixaram despedir do caixeiro ou daquela rica donzela do café das quatro.

Era tudo falso. Não existiu a tal moça. O café era mentira. E a minha vida ignorada nem sequer estava ali.

E isso não foi criado à toa. As letras não vagam sozinhas.

Calderon de la Barca diz:

“que farão pelo que ignoro
se pelo que sei me enterram”.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

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