Malandro não cai; nem escorrega.

Curtir Aguarde... descurtir
 
0

Meu terno branco
linho S 120
foi cortado com requinte pelo meu alfaiate inglês.

Camisa de seda pura
pescoço desocupado
bigode bem aparado
um lado de cada vez.

Pisante de duas cores
mas feito sob encomenda
para que a oposição entenda que a maré pra mim tá boa.

Não é à toa
que uso esse chapéu quebrado
para defender o telhado da friagem da garoa.

Chego assim mais esticado do que couro de cuíca,
que a primeira impressão é que fica
e eu chego querendo ficar.

Não sou malandro, porque malandro é de morte,
estou no mundo por esporte
só quero o leite e o mel.

Não sou malandro mas tenho o meu santo forte,
sou um otário com sorte,
sou zona norte,
sou Vila Isabel.

— Pedro Amorim

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

Um comentário