Louco das Paineiras

O poeta louco apenas fitava velhas paineiras tortas fronte a fonte seca de um rio volúvel. Não tinha a filosofia nem a perspicácia de um pensador. E as paineiras tortas fronte a fonte apenas as eram… paineiras! Não as chamava de utopias nem ideias sentimentalistas.

O poeta louco sabia que aquelas paineiras vistas por lindos olhos azuis de uma mulher aquém não seriam nunca, paineiras. O “nunca” é o que se vê quando a lucidez tormenta o louco das paineiras tortas, rôtas paineiras.

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Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>