Lirismo irrelevante

Curtir Aguarde... descurtir
 
0

Escrevo como um carrasco usurpador das belas idéias acerca dos fatos.

Poderia escrever melhor, não nego. Canso de olhar relatos, ficções e noveletas que expurgo sem maior controle neste espaço e vejo, de forma tardia, a falta que uma enjambrada mais lírica fez.

O que muita gente não sabe é que escrevo e não ligo que ninguém leia. Escrevo porque preciso de uma âncora para meus sentimentos e lembranças reais, mesmo que tudo pareça camuflado em continhos murchos ou fantasias impossíveis.

Aliás, não invento nada, não sei se ja falei isso aqui alguma vez.

Escrever foi a forma singela que encontrei de ludibriar a vida. E publicar estes ensaios faz parte da regra básica da escrita. A publicação com direito à exposição permanente, infinita e livre é linda. Qualquer um pode interpretar como quiser. Até os idiotas.

É quase que um jogo regrado, diga-se de passagem.

Mesmo porque quem escreve para sí, em diários secretos que em algum periodo da vida vá pegar fogo ou se afundar em algum lago pantanoso, não escreve nada.

E quem escreve porque gosta, é um bosta.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

0 comentários

  1. Bom dia!!! Meu desejo é apenas reportar que gosto do seu estilo de escrever e que admiro tanta liberdade!!!! Sei que você nem liga prá o fato de as pessoas lerem o que escreve ou não, mas eu também não ligo se você vai ligar… E não é minha intenção ser intrometida, mas concordo com o que você registrou a respeito das amizades que deixa para trás, sem ao menos se importar em estabelecer um contato com elas, de preferência antes que morram… As amizades que fazemos são, realmente tudo o que você disse e, quem sabe, talvez até um muito mais do que isso, dependendo da visão que se tem. Não vem ao caso, mas sempre faço esforços para cultivar os meus. Me faz bem!!! A propósito, aquilo foi um tipo de “conselho” (que se fosse bom…) porque você, na verdade, não está nem aí ou será que existe naquelas entrelinhas uma ponta de arrependimento ? Desculpe, mas não pude me conter e, ainda que não se amarre no que eu “disse”, eu também não ligo prá isso. Enfim, definitivamente me tornei uma admiradora de seus ensaios. Tudo de bom!!! Ah!! Também gostei das fotos e de mais algumas coisinhas!!!! Um abraço!