Jalapão no Carnaval.

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Este é um post figurinha. Cheio de imagens para mostrar o que é o Jalapão, uma região do Tocantins que muita gente nunca ouviu falar.

No feriado do carnaval, viajamos para o Deserto do Jalapão, um parque estadual bem no meio do estado do Tocantins. A região é famosa por algumas coisas: A menor densidade demográfica do Brasil (algo em torno de 0,8 habitantes por km²), a gasolina mais cara do Brasil nos postos de Mateiros e Ponte Alta do Tocantins (o que já caiu por terra essa afirmação) e, obviamente, por ser o único deserto do Brasil.

Tem mais: o maior rio de água potável e mineral do Brasil. Tudo ali é do Brasil (ou Tocantins, como bons ex-goianos). A maior fazenda de refino de pasta base e plantio de coca e maconha do Brasil (hoje sucateada e deserta, como um bom deserto).

Mas não é essa desgraça toda que você aí está pensando. A região, apesar de ser de um solo extremamente pobre e composto basicamente de uma areia fina e branca, tem muito verde. E é incrível.

As estradas do norte do Goiás e do sul do Tocantins são boas, mas sem carro algum. Parecem abandonadas ao tempo.

Os postos de gasolina são predominantemente de bandeira branca e indefinida. Por lá não existe muita opção, apenas necessidade. Este posto aí de cima tinha um barro bacana para entrar e sair.

Esta é uma estrada nova que liga Pindorama até Ponte Alta. Está tomando forma e a trilha sumiu. Até a ponte ogra sobre o rio Balsas virou uma nova — e sem emoção — ponte de concreto.

E este é o pedaço sem asfalto. Continua bom!

Esta foto é uma tentativa de panorâmica 180º a partir do nivel do riacho. É o cânion do Sussuapara, uma antiga gruta que desabou o teto e fabricou um visual único e surpreendente. O lugar é complexo demais para descrever, principalmente porque é no meio de uma planície e deserto sem nada ao redor.

Aqui é o rio Sussuapara, perto da nascente. As águas no Jalapão são extremamente puras e cristalinas.

Rio Lageado. Apesar de parecer pedra, essa formação por onde passam as águas é um misto de argila e barro. Muito mais duro do que argila e mais fácil de quebrar do que pedra. A cachoeira é surpreendente e perigosa: vacilou? escorrega e parte a sambiquira lá embaixo.

Esta é a vista comum do parque do Jalapão: um campo de cerrado sujo, poucas árvores, muitos arbustos e areia em todo o terreno. Os horizontes do parque são incríveis, quase infinitos. A amplitude visual do lugar e de tirar o fôlego.

O final da estrada para se chegar na cachoeira da velha, no Rio Novo. Nomes paradoxais, por suposto. O rio está no canto direito da foto, com cerca de 60m de largura. É o rio mais famoso e a cachoeira mais caudalosa da região. Quase uma catarata, pelo número de quedas e a largura da mesma.

Foto panorâmica da Cachoeira da Velha, em baixa velocidade e no final do dia. A força d’água é supreendente, a vazão é estrondosa e a água branca que se forma na queda consegue deixar a superfície totalmente irregular. Este é apenas metade da cachoeira (no outro lado, atrás daquelas árvores no centro-oeste da foto tem mais um outro tanto). Clique na foto para ampliar.

Uma aranha simples de jardim, mas extremamente grande e velha, à noite, na prainha do rio Novo. Note que ela tem musgo e faltam as duas pernas traseiras esquerdas da mesma.

O acampamento na praia de areia do rio novo. Noite estrelada e muita conversa boa. Mesmo durante a madrugada as águas do rio não esfriavam.

Cachoeira do Rio Formiga. Águas surpreendentes e cristalinas, fundo de areia branca e o melhor, água na temperatura ideal, nem muito fria e nem muito quente.

Os 9 carros 4×4 e os 24 humanos destemidos, com a serra do Espirito Santo logo atrás.

Um dos pontos mais visitados e batidos do Jalapão, e que mesmo assim despertam surpresa ao visitar: as dunas. Aliás, é o único lugar de todo o parque em que você nota realmente um processo inicial de desertificação.

As dunas são cercadas por um riacho que nasce em uma lagoa ao lado das dunas. O visual fica magnífico!

A diferença entre o serrado da serra do Espírito Santo e o deserto.

Algumas plantas que insistem em nascer no meio do areião, e não se preocupam muito com sol, calor, falta de nutrientes… Tá certo que de vez em quando morrem, como esse esqueletão acima.

Mais vegetais mortos. Ao fundo, de onde vem o areião todo: a serra está literalmente esfarelando, e a areia toda acumula neste vale.

Uma das inúmeras lagoas pluviais formadas no meio do areião.

A estrada que liga Mateiros à Dianópolis. Uma reta de quase 100km, cercada por soja e lama. O trecho de 120km foi vencido em pouco mais de 9h de viagem, com direito a rodadas e gente parando no meio do barranco (imagem acima mostra uma TR4 na valeta, na esquerda da estrada)

E la nave va.

Troller e Cherokee rebocando um caminhão da valeta. Sim, puxa tranquilo.

A pequena Tempestade que pegamos nos quilômetros finais da viagem. Só pra fuder mais ainda os que já estavam no bico do corvo!

A viagem é singular e extrema. O lugar, paradisíaco. O que sobraram foram excelentes lembranças, muitas fotos e um gostinho de voltar e explorar mais ainda.

A viagem é tranquila. Até pode ser feita de carro comum, como todo mundo sugere. Mas é arriscado demais. Existem trechos extremamente técnicos e vimos, por várias vezes, carros normais levando um baile para passar onde 4×4 passaram sem problemas.

Ah, não existe estrutura alguma turística. Alguns poucos pontos de apoio, e só. Por isso amigo, Korubo ou compre uma barraquinha tranquila.

Uns footages básicos filmados com o celular:

A viagem de ida (DF ~ TO):

Desatolando um caminhão no meio do caminho:

A volta (TO ~ DF):

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

0 comentários

  1. Muito bom este post, tenho amigos que moram em Palmas e já me falaram e convidaram algumas vezes para conhecer o Jalapão, mas a abordagem aqui como uma espécie de diário, fotos e dicas me deixou com uma única certeza: VOU CONHECER O JALAPÃO!
    Obrigado!