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Todo mundo me fala que eu estou perdendo tempo. É claro que estou perdendo tempo. Quem trabalha perde tempo. Melhor, quem trabalha não ganha tempo nem fica rico. Você acha que, se eu pudesse, não estaria arrodeando o mundo por 9 vezes com uma câmera na mão e uma mochila nas costas?

Pois então. Tempo é um luxo que não tenho. Muito menos para perder.

Eu não vou reclamar da fotografia. Já fiz aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

anselSe eu colocasse publicidade em cada um desses posts que reclamo, teria dinheiro suficiente para comprar uma câmera e 436 tiquétes de transportes diversos para essa volta de 9 vezes pelo mundo.

Mas não quero mais reclamar, pois isso é perder tempo. Vamos falar do que existe e é tangível.

Fotografia com o que há.

O sr. deve ter reparado, amigo leitor, que algumas fotografias aqui postadas melhoraram um tanto quanto. Isso não é obra do acaso, mas sim, da psicologia contrária. Eu seduzi por teorias estranhas os meus antigos chefes de divisão a comprar um equipamento fotográfico bom para a firma. Eles aceitaram a argumentação. E como ninguém dá pelota pra maquininha, chefia deixa eu perambular pra cima e para baixo com o equipamento.

E foi numa dessas perambuladas que eu achei essa foto do topo se desfazendo rapidamente em minha frente.

Cliquei por impulso, como se um instinto inconsciente e imediato soubesse o que estava acontecendo. A composição foi instantânea e o momento, perfeito. É desse tipo de coisa que eu preciso: fotografia instintiva. Não é arte e nem é tendência. Não tem apelo mas tem intensidade e brutalidade. E só quem tenta arfar atrás de um obturador escuro sabe o quanto é bom conseguir reproduzir o momento perfeito, sem saber direito o que se passou nos 1/250 da piscada de lâminas.

A foto do dia não significa que vou postar uma foto por dia. Significa que existe uma única foto que valeu o dia. E que será postada aqui como ‘Troféu-da-Córnea-Irregular’

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>