Falando em amor

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Uma amiga pediu para eu falar para ela o que era o amor. Sei que devem existir milhares de textos sobre este assunto. Gente que amou e falou bem, gente que amou e se quebrou, gente que nem sequer teve uma amostra grátis do amor.

Resolvi mudar um pouco o conceito, só para ver a buia que ia dar.

Amor, antes de tudo, é a sobra da paixão. A paixão faz a gente ficar com cara de tongo.

Depois que a enxurrada da paixão passa, sobra a essência do amor. E o amor nada mais é do que agir com a emoção. E quando você ama, você ofusca a razão, distanciando-se da pureza de Platão.

O amor entorpece a alma.

E o amor tem validade. Não é eterno, e o que sobra é amizade, respeito e intimidade. E quanto mais você conhece a sua pessoa amada, mais o seu amor – que antes era paixão – transforma-se em amizade. E amizade é um sentimento que transcende qualquer outra forma de relacionamento entre duas pessoas. Alguns cientistas até dataram a validade do amor – 7 anos. É a deadline dos coraçõezinhos e das ações e reações químicas em seu corpo.

Acredito que o amor esgota. Meu primeiro amor deixou marcas que nunca irão sarar. Meu segundo, mais marcas, só que amenas. O terceiro, marquinhas. E isso não tem nada a ver com intensidade do relacionamento. Ambos foram relativamente extasiantes.

Um amor, para ser eterno, só precisa de duas coisinhas: ser platônico, para sempre viver a paixão no imáginário perfeito e ser cultuado. Fora disso, a razão vai imperar, cedo ou tarde.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.