Escritores mentirosos e malditos

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Sabe qual é o problema de todo bom escritor? Eles são mentirosos. Fabricam mundinhos tórpes e egocêntricos, moram em lugares que não existem e conversam com pessoas imaginárias.

(Como a internet, por assim pensar.)

O mais estranho de tudo é que esses mentirosos profissionais (escritores malditos) têm a mais perfeita e idônea noção da verdade que escondem. Conhecem-a como mais ninguém a poderia conhecer!

Destrincham toda a realidade vivencial e a remontam como bem entendem. Criam uma meia-verdade. Ocultam o que não interessa. Enaltecem o que realmente não aconteceu e, pior de tudo, jogam pimentas e cores no que nunca existiu — ou deveria existir — de facto

Criam utopias que se contradizem!

E nesse momento a verdade acaba se tornando a a coisa mais importante do mundo naquele texto. Mesmo que não apareça. A melhor coisa na alma encravada do assunto, o segredo bestial, a ferida que unge e atormenta o escritor.

Eles enterram-se com uma verdade miudinha, só deles.

E é essa verdade que pinica as ancas deles, até o fim.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

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