Dicionário de Informática

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Publiquei este dicionário em 1999, no falecido “blog” pessoal (um site com textos esparsos) que ficava à sombra do GuiaCWB, outro finado site de cultura e entretenimento curitibano.

Republico ele aqui, apesar da resistência que, ano-a-ano o fazia mais esquecível pela mediocridade que sempre foi.

Mas gosto de alguns destes desenhos tortos e mal-feitos, desenhados com um singelo tablet 4×3.

E a gente não tem que ter vergonha do passado. Ou não.


Bit

O BIT — O bit é um bicho redondo, com membros alongados. Na teoria ele é um dígito binário, a menor unidade de informação de um computador, que pode assumir apenas um valor binário: 0 ou 1.

O bit é o cara que faz o joínha, com o dedão para cima ou para baixo. Dedão para cima é ligado, ou número 1, dedão para baixo é desligado ou 0. Isso é um BIT: Bixo Interessado em Trabalhar.


Byte

O BYTE — O Byte é uma trúpe de oito bits que sabem andar de moto. O Byte — uma das mais famosas e valentes trúpes de equilibristas — sempre se apresenta nas comemorações de 7 de setembro em Brasília, como motoqueiros da PM. O byte é responsável pela transmissão de 8 joínhas para o processador.


KByte

O KBYTE (KiloByte) — O KByte é uma romaria para o Chade, de trúpes de bits, com cerca de 8000 integrantes. Um kbyte freta 92 ônibus-lotação, e espreme 90 caras do joínha dentro, em uma viagem de mais de 9000 kilômetros e cerca de 9 dias. As suas motos vão embaixo no bagageiro. Os bits sempre reclamam que está apertado e abafado dentro das lotações, mas eles cantam e dançam músicas de acampamento para o tempo passar mais rápido.


KByte

O MEGABYTE — O megabyte é como se um milhão de trúpes de bits equilibristas fizessem um congresso no Chade, um país africano que é famoso por seus beduínos, e que tem uma população de cerca de um milhão de pessoas, o equivalente à uma trúpe por habitante. Geralmente essas trupes chegam em kbytes, as incômodas romarias de lotações apertadas.


GigaByte

O GIGABYTE — O Gigabyte é o mesmo congresso mundial das trúpes de equilibristas do Chade, mas depois de ter feito uma propaganda de um minuto na final do SuperBowl. São um bilhão de trúpes de bits equilibristas reunidos na Índia. A Índia tem cerca de um bilhão de habitantes, o equivalente à uma trupe de equilibristas para um habitante.


Pixel

O PIXEL — O pixel é o primo do BIT, o cara do joínha, mas é daqueles primos polacos que são mais fortes, maiores e mais coloridos. Geralmente eles são os caras que falam com o público e que são mais vistos que estrelinha de Big Broder, pois sempre estão em bandos nas telas de computadores. Adoram as cores Rermelho, Gerde e Bazul (RGB).


Banco de Dados

O BANCO DE DADOS — O banco de dados é um lugar que cabem sempre 3 dados. Eles se reúnem ali para conversar sobre política, religião, futebol, mulher pelada e, é claro, sobre como trapacear em jogos de azar.


Buffer

O BUFFER — O Buffer é um local temporário de armazenamento. Buffer deriva da palavra Buffet, onde os bits – equilibristas fantásticos – temporariamente param para se alimentar de dados. Sim, os bits comem aqueles figurinhas que conversam no banco sobre mulher pelada.


Bug

O BUG — O bug é um bit muito loucão, que não quis ser equilibrista como seus irmãos, e sua mãe, a dona Edinalva, o reprova. Como ato de rebeldia, ele sacaneia “os joínha” de seus irmãos e parentes, causando ruídos e problemas na comunicação da rapaziada.


Pau

O PAU — O pau é um bit das cavernas, originário do arcaico ENIAC, todo peludão, com monocelha e um bigodão gigante. Ele é psicopata e tem desvio mental. Mata à sangue frio os bits que encontra. Geralmente se esconde nas montanhas do Afeganistão ou em blogs abandonados e desatualizados. Posts novos afugentam esses neanderthais. A principal caracteristica das ações maléficas do PAU é quando aparece a tela azul no seu windows, os GPF´s ou então quando seu computador começa a travar e falhar.


Cache

O CACHE — O cache nada mais é do que o lugar onde a gente guarda os bits mais usados. Cache é uma palavra francesa que, em bom português, significa caixa. E caixa serve para guardar as coisas.


FAT

A FAT — Fat significa File Allocation Table, ou, em bom português, a pança dos bits. Os bits comem os dados, por isso chamam-os discriminadamente de fat (gordo, em inglês). Aqui, quanto mais a FAT come bits, mais importante ela é. Igual na ilha Samoa.


Gif Animado

O GIF ANIMADO — O gif animado é composto basicamente por pixels, os primos polacos do bit. Um GIF animado não passa de um pixel polaco bêbado fiasquento, que sobe em cima da mesa para dançar macarena. Um pixel bêbado é um GIF de 1×1. Um monte de pixels bêbados em uma festa são as imagens animadas normais. Se bebem Cinzano, são GIFs vermelhos. Se bebem Martini, são GIFs amarelos. Se bebem de tudo, acabam virando aquelas imagens muito loucas que ninguém entende mesmo.


IRC

O IRC — Más línguas dizem que o IRC significa Internet Relay Chat, com suas variantes, como o mIRC. Errado! IRC não passa da onomatopéia do soluço de bêbado, que pode ser o pixel polaco bêbado (vide GIF ANIMADO), o bug (vide BUG), o PAU (vide PAU) ou raramente, um bit desiludido que tomou uma cana a mais.


Jumper

O JUMPER — O jumper é erroneamente reconhecido como aquela peça minúscula preta, que serve para definir configurações de hardware. Errado! Jumper é um bit gozador que ganhou da tia Edinalva, mãe do bug (vide BUG), o pula-pula do Gugu no seu último aniversário.


Ponto Flutuante

O PONTO FLUTUANTE — Evalf. Esse é o nome do bit que, por pura preguiça, não quis aprender a nadar nas ondas da internet. Alguns nerds e programadores de plantão poderiam dizer que Evalf é comando para obter um decimal, mas não tem nada a ver. Evalf tem vergonha de dizer que não sabe nadar, e ainda por cima tem que agüentar gozações de seus parentes pixels polacos bêbados sobre sua bóia de cavalinho.


Warez

O WAREZ — Warez é o apelido do Waresmirton Ramirez Ramirez, um bit que adora usar produtos falsificados e de preferência duvidosa. Ele toca harpa paraguaia, tem um tenis Retook, escuta seus cd´s “hecho en paraguay” e ainda faz pose com seu Juanito Caminador Tarjeta Negra. Sacoleiro de informações, sempre tem soluções baratas e instantâneas para seus colegas. Dizem que é ele quem descaminha armas para o PAU, mas aí eu não posso confirmar a informação.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.

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