Daqui de cima a floresta não parece tão feia.

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Desde que eu comecei a assinar o meu Imposto de Renda como “Declaração de saída definitiva do país” não tenho muito o que reclamar do Brasil. Meus impostos são corroídos agora pela corrupta-bretã e meus novos-políticos fedem subaco tanto quanto os velhos-expátridas retumbantes.

Continuo ‘sustentando-vagabundo-com-imposto’ aqui no velho mundo. Se te faz bem comparar. Aqueles — a quem você carinhosamente chama de — vagabundos do bolsa familia também existem por aqui. Muito antes do bolsa familia aí.

As coisas não mudam muito, no final das contas. Os problemas são incrivelmente iguais. E que na verdade nem são os Oh! probremão.

Urubuzando a caricatura do Brasil.

Desde que me mudei, tenho lido cada vez menos fontes brasileiras de notícias. O que vejo — muito de quando em vez — é uma nota ou outra em algum periódico qualquer aqui. E com isso cheguei à frustrante conclusão de que o Brasil não é essa cocada-queimadinha que a gente acha que é.

Minhas redes sociais (facebook / Instagram / Twitter / Yammer) é um resumo pitoresco da temperatura político-social brasileira. Começou a se tornar uma coisa extremamente chata. De uma lado os inimigos do PT. Do outro, o clube dos comunistas vermelhos. E no meio disso, gente que posta foto de gato. Ou de gente morta.

Aliás, outra constatação.

Meu Facebook se tornou a mesa do escrivão da 1ª DAEUTI (Delegacia de Atrocidades Em Uma Timeline Inocente). São centenas de postagens indignadas de gente que:

  • Foi assaltado;
  • Teve carro véio roubado;
  • Posta gente estraçalhada em acidente (formatos video e fotos);
  • Defende ladrão;
  • Agride ladrão;
  • Chama ladrão de ladrão mesmo sem saber se o ladrão é de fato um ladrão;
  • Reclama;
  • Posta indireta orkuteen-recalck®  do nivel “Se a sua estrelha não brila não tem te apagar a do outros”
  • Posta foto de cachorro fodido (isso não tem como evitar, existe desde 1992 no Orkut).

A rede social era para ser uma coisa legal. Tão legal que até rimou. Foto de gente bêbada em balada, fotos das suas peripécias e estripulias em um monociclo, a última viagem para o Guarujá, o rebentinho novo que nasceu (mas não seja o filho da puta que posta foto da mulher arreganhada com a criança roxa e cheia de sangue).

Mas não né, você tem que postar o vídeo do assaltante de 16 anos que morreu lentamente e agonizando na avenida Beira Rio. Ou o vídeo do cara ainda tendo espasmos dentro de um carro destruído.

E o meu recado seria assim.

Pare de ser babaca na Internet. NINGUÉM vai te ouvir.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.