As boas-novas de Cambridge

Cambridge é uma cidade boa de passear. Quando está frio e ventoso – durante a queima da pestana na hora mais triste da tarde de inverno causticante, há a loja de fudge para se abrigar. Cambridge tem cheiro de fudge. E fudge, para quem não sabe, é um doce mais doce que o doce de…

A fila do correio

A fila do correio. Agradavelmente depressiva. O idoso que esquecera a razão de estar ali: resmungava baixinho, olhando contas e papéis e cartas e tudo mais que pudesse render razão para estar ali. Logo ao lado, a velha maluca. Velha e maluca. Com dois crucifixos enrolados em um barbante vagabundo de algodão. Gorro de lenhador.…

As duas bicicletas

A felicidade é um passado perfeito. Não posso garantir, mas tenho uma desconfiança enorme de que a gente só percebe que um momento foi felicidade plena tempos depois. E a busca pela felicidade é uma jornada muito, mas muito longa. Enquanto procurava uma foto nos arquivos achei esse farol, que ilustra este texto. Uma foto em…

Josias, o propedeuta amoroso

Era assim que eu assinava uma coluna de relacionamentos amorosos no jornal O Plausível, da cidade de Itaiacóca, em 1968. O anonimato causado pelo pseudônimo imponente era deveras significativo, uma vez que eu sempre recebia e-mails, telex, mimeografias e cantadas calorentas por cartinhas. As mulheres me achavam charmoso. Elas exacerbavam o tipico complexo do radialista…

A casa de campo

Ainda é entardecer de novembro. Pôr-do-sol de domingo. Sol das cinco da tarde, perfeito para um dia de espera. Dia com cores quentes. Saudade de você. Banho tomado, sabonete de erva-doce para acalmar. Perfume dispersado em uma névoa sobre o corpo. Roupa leve. Levemente maior para provocar. Tecido cru, decote delicioso, cabelo molhado, comprido e…