As boas-novas de Cambridge

Cambridge é uma cidade boa de passear. Quando está frio e ventoso – durante a queima da pestana na hora mais triste da tarde de inverno causticante, há a loja de fudge para se abrigar. Cambridge tem cheiro de fudge. E fudge, para quem não sabe, é um doce mais doce que o doce de…

A filosofia barata é um doce

A filosofia barata é deliciosa. Encaixa perfeitamente. Tende ao acerto igual a metodologia do bem-estar coringa de um horóscopo. Ajuda, esquenta, anima, conforta. É volúvel como um mantra repetido por centenas de vezes e que não fixa. Fácil de acreditar, fácil de esquecer. O problema é que ela não ajuda. Você não muda. O gelzinho gosmento em que…

A fila do correio

A fila do correio. Agradavelmente depressiva. O idoso que esquecera a razão de estar ali: resmungava baixinho, olhando contas e papéis e cartas e tudo mais que pudesse render razão para estar ali. Logo ao lado, a velha maluca. Velha e maluca. Com dois crucifixos enrolados em um barbante vagabundo de algodão. Gorro de lenhador.…

Lembrete para daqui a pouco

O fel desgraçado que ainda escorre no canto da minha boca serve como um sinal de que nunca me esqueça que o cinema, a fotografia e a música apenas retratam idéias maravilhosas irreais. A fotografia é um fiel retrato do impossível. Aquele roteiro melodramático do filme que passou na tarde friorenta de sábado é uma…

Os 40 anos da equipe Williams – e como fui parar lá

A Williams completou 40 anos de idade. Em um evento gigantesco, conseguiram colocar na pista – e ao mesmo tempo – 14 versões diferentes dos monopostos históricos; um show único e impressionante. Uma semana antes do GP de Silvertone o circuito sentiu nas zebras a pressão de 40 anos de história correndo ao…

O terror é um comportamento genuíno

O terror é um comportamento genuíno humano. Uma das formais mais surpreendentes de dominação e imposição de força. A essência da maldade humana. Ou a essência humana sem quaisquer limites. O menino com a lupa queimando formigas. O cururu chutado ao tentar atravessar a rua. A bombinha no rabo do gato. O homem-bomba,…

Minha lista pessoal; a versão 2017

Essa história de lista é longa e ainda tem muito o que render. Mas me amedronta o fato de que ela já tem 10 anos, constantemente atualizada, e não executei com excelência nem um terço do combinado. Minha primeira lista-das-dez-coisas-para-se-fazer-antes-de-morrer foi escrita há 10 anos. Era uma época em que eu não sabia direito…