Cambridge, curiosidades e as noturnas afamadas.

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A seção diarinho nunca me apeteceu e o comensal deste periódico tenta, mas em vã efetiva, presentear os incautos leitores com devaneios e vivicentices além-mar. Vejam que as maiores mentiras que escutei no Brasil sobre o velho mundo estão caindo, uma após a outra. Não sei se era uma tentativa de me segurar em terras pagãs tupiniquins, mas os bons hábitos herdados estão se aprimorando com a fineza e algozidade dos bretões sangue-na-têmpora. Enfim, vamos ao que interessa: ilustrações e fotogramas de monstros, dragões e ferocidades que ainda hei de matar.

Um Morris Wagoneer, usaram madeira para poupar metal para a guerra.
Daimler Sp250 de 1954. Motor V8, estacionado no mercado. Ao lado, um curioso Nissan Figaro de 1991. Esse Nissan ficou famoso aqui na Bretãolândia por causa da semelhança com o Datsun Fairlady.
Sim, nos rendemos aos costumes porcos-capitalistas dos gringos. Mas são feriados, então automaticamente estamos agraciados com a remissão factual. Na foto, a seqüência de esculturas em Pumpkin ‘Munchkin’, com uma faquetinha de molibdênio-vanádio suéca. O tamanho inexpressivo das caveiretas advêm da brasileirice de ter deixado para a última hora para comprar abróbas.
Esta é a lateral da blindagem de um Panzerkampfwagen V Panther. Duas polegadas de metal perfuradas com alguma coisa realmente nociva. Esse tanque está na entrada do Museu Imperial de Guerra.
Poster original do Lord Kitchener, nas paredes do Museu de Guerra. Aquarelado por Alfred Leete em 1914. Detalhe para as anotações de correção de tipografia e cores. O tio Sam foi copiado dele em 1917.
Placa de trincheira da primeira guerra mundial, a mais aterrorizante de todas. O entrincheiramento era técnica crucial de sobrevivência e esses avisos tinham esse sistema de arejamento patrocinado pelos inimigos.
King’s Cross Train Station. Essa é a rua na frente da estação mais famosa de Londres, graças ao Harry Potter e a plataforma 9¾. Na foto, rastros luminosos dos ônibus vermelhos de dois andares.
Toda estação de trem ou metrô aqui de Londres sempre reune centenas de pessoas que olham essas plaquetas como torcedores que esperam um gol. Horários e plataformas, cidades destino e o mais importante: horários cumpridos com rigorosidade impressionante.
Um gato bacana, dos Bradgates, miando na janela. Pensei com meus botões: sacarei o fotograma no miar do felino. Ficou tão feia boca do desgraçado que parece um gragúlia.
Pode me xingar à vontade: você sempre verá intervenções, pixos e carros nessas páginas. Essa, em um muro de Cambridge, a cidade do rio Cão.
O Bacana de andar em uma cidade meio medieval é encontrar um ou outro cemitério desativado no meio do caminho. Esse, ao lado de uma igreja, tinha lápides de 400 anos.
O Eagle Pub de Cambridge. A data original de levante do botéco é de 1667.  O dono atual do pub é um College Cristão e é gerenciado por uma cervejaria local. Foi em uma mesa do Eagle que o James Watson “discovered the secret of life” quando anunciou o formato da cadeia de DNA — e como ela carregava as informações genéticas.
O mais legal do Eagle — também conhecido como RAF’s Pub — é o teto. Toda a superfície do forro é pichada com inscrições de esquadrões, datas, companhias e dedicatórias, por pilotos e tripulações dos aviões britânicos e americanos que participaram da Segunda Guerra Mundial. Sqd’s famosos, como os Alis Nocturnes e o 91st Bomb Group (do famoso Memphis Belle) escreveram, à fogo de vela, fogo de isqueiro ou até batom, suas credenciais antes de seguir para a morte.
Fudge de Cambridge. Um batumadão de açúcar, leite e  manteiga, adicionados de chocolates e nozes. Doce mais doce que o doce de batata-doce, com certeza.
Um povinho puntiando no rio Cam perto da bridge. É, mais ou menos assim que surgiu o nome da cidade, tá pensando o que?
A ponte da matemática é uma das mais famosas pontes de Cambridge. É velha que o cão: 1749. Ela é famosa porque utiliza um princípio de tangentes e triangulação do madeirame, fazendo com que se otimize ao máximo a sustentação e estabilidade. Na foto podemos ver um casalzinho e um fantasma.
Toda cerca ou muro de Cambridge tem pelo menos umas 50 bicicletas encostadas. É muita coisa, mesmo para quem está acostumado com algumas cidades da Europa.
Porão malassombrado em Cambridge, com o quê? Biscletas.
Esse é o punt, o barco-símbolo de Cambridge. No começo você não dá nada no bótinho, mas a desgraça leva seguramente 6 pessoas mais um punteiro sem virar. Tem cantos quadrados e fundo chato com bom lastro, o que estabiliza a nháca sem riscos de adernação e mico.
Bla-bla-bla e o quê? Uma Caloi Ceci na foto.
Eis uma foto que reúne 2 dos 3 princípios que regem a rurgs desse blog: Carro e Pixo. Esse é o Mandela Way T-34 Tank, um tanque russo de 1944. Era do exército tcheco. A história dele (e de como foi parar em um terreno baldio) é meio obscura, mas ele foi usado no filme Richard III em 1995. Desde então ficou por lá para receber uns pichos. Encontrei por acidente, procurando uma lojinha em Canada Water, Londres.
Semáforo analógico do começo do século em estação de trem. Coisas que trabalham, até hoje, em conjunto com luzinhas computadorizadas e LED’s.
Grosvenor Gardens, no centrão. Algo como “Jardins do Grande Caçador”.
Estradinha da entrada do Gilwell Park, terra daquele cantor de MPB, o Baden Powell.
Só para ficar esperto.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.

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