Brooklands Autumn Motorsport Festival 2017

Curtir Aguarde... descurtir
 
1

O choro ardido dos motores aspirados de Fórmula 1 do passado. O pipoco frenético dos escapes de rally. O Aston Martin Special Razorblade 1923 que se recusou a pegar na partida à manivela (que eu tentei, sem sucesso, fazer funcionar). Isso é o festival de inverno de Brooklands, o berço do automobilismo inglês. 

Seja lá como você imagina a história do automobilismo como uma competição, o autódromo de Brooklands, no Reino Unido, tem uma parcela importantíssima nesse bolo.

Em 1906, Hugh Fortescue Locke-King, um grande entusiasta de corridas de carros, queria trazer algumas competições para as ruas e estradas da Inglaterra. O problema era o código de trânsito, que estipulava um limite de velocidade de 20mph para veículo automotor. Incluindo qualquer competição ou evento automobilístico. A solução veio de forma criativa: construir um circuito ovalado, em formato de hipódromo, longo e com curvas inclinadas para simular retas infinitas sem desaceleração.

Nove meses depois, o primeiro autódromo do mundo surgiria. com 3.25mi de extensão, pavimentado em concreto. A pista era toda irregular. As curvas tinham lombas e depressões conhecidas dos pilotos. E mantinham quase 50º de inclinação lateral, que gerava uma pressão fortíssima nos carros.

Curva ‘byfleet banking’ onde os carros ficavam com as 4 rodas no ar. E esse é o Napier Railton, que bateu 47 recordes de velocidade em Brooklands.

Para encurtar a história: algumas quebras de recorde mundial de velocidade foram feitas nessa pista. As corridas geraram investimentos em provas e algumas categorias foram criadas. Circuitos alternativos para categorias diferentes? Ali mesmo, 4 no total.

O fim do autódromo veio de forma abrupta e severa: bombardeado durante a segunda guerra mundial, o circuito acabou perdendo espaço para um aeroporto militar (que precisou ser aumentado para pousos de bombardeiros) e a pressão industrial pós-guerra jogou uma pá de cal nas provas ali disputadas.

Brooklands, hoje.

Quase 2/3 da pista sumiu. Parte da Byfleet está intacta, no museu Brooklands. As pontes foram demolidas, algumas relíquias originais dos anos 10, 20 e 30 ainda restam por lá.

A tradição é forte e alimenta os entusiastas. E uma dela é a subida da Test Hill.

Uma subida gradual (1:4, 1:5 e 1:8) de 100m criada para testes de freios e arrancada em subida para a industria, tornou-se uma competição peculiar contra o tempo. O evento ficou famoso e todo ano mais e mais pilotos começaram a arriscar a vida em saltos cada vez maiores no final da subida. Alías, a competição contra o relógio acabou em 1933 quando um piloto voou mais de 30m na chegada, batendo em umas arvores e destruindo o carro.

A dinâmica da velocidade hoje em dia está em alguns drive-experience da Mercedes. Mas a história continua muito viva no museu e nas lendas, contadas e reavivadas todo final de semana por mantenedores e voluntários locais.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.