Brasília: 50 anos.

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Ontem foi aniversário de Brasilia. A festa — que tinha tudo para ser a maior esbórnia visual e social de todos os tempos na comarca — tornou-se um parabéns de tia velha com balão murcho enchido no dia anteiror.

Toda essa putaria política que acomedeu a casa do espanto do governo local pôs em xeque qualquer credibilidade no evento. Resultado? Muito artista declinou o convite para fazer parte da festa. Bandas decadentes animaram o povão, a “Turminha Disney” fez a alegria da criançada e tudo queimou-se como papel.

A ressaca — como sempre — foi de toneladas de lixo no chão da esplanada.

Aliás, Brasília virou motivo de piadas em todo o Brasil. Desde o rodízio de cadeiras até o futuro governador Roriz (sim, infelizmente ele voltará), tudo aqui é o espelho da democracia nacional. O brasileiro não sabe o que é votar.

Meus pais passaram por aqui ontem, no dia da festa dos 50 anos de Brasilia. Vindo lá do meio dos índios, de uma viagem invejável que contornou o litoral brasileiro. Ficaram em um hotel chamado Brasilia Palace, que tem uma história interessante: Foi o primeiro grande hotel da cidade, ao lado do Palácio Alvorada, na margem do lago Paranoá. Pegou fogo, ficou 20 anos sucateado e recentemente passou por uma reforma e restauração completa. Hoje é quase um museu interativo, com quartos honestos, tarifa interessante e uma carga histórica invejavel. É uma opção de estadia imersiva brasiliense, com requintes de outrora.

Não resisti e passei a noite lá.

A Zélia Duncan estava na mesa da frente ontem em um restaurante. Era engraçado que toda hora que alguem queria uma foto, ela colocava um Rayban Aviator para ficar com cara de badgirl. Gente famosa sempre tem uma peculiaridade existencial.

Faixa (que provavelmente ainda esteja lá) em frente do condomínio “Ilhas do Lago”, no SHTN: URGENTE: vendo apartamento de 3 quartos no Ilhas, abaixo do preço de tabela: R$890.000,00.

Imagine que esse “3 quartos” tem cerca de 90m². R$9.800 por metro quadrado, my friend. E está abaixo da tabela mesmo, olha só.

Se bem que o Noroeste, o novo bairro brasiliense, todo ecológico e moderno, custará R$15.000 o quadrado metrado. É um orgulho essa ostentação toda de bolha imobiliária que dá até vontade de vomitar. Temos coisinhas pitorescas de dois milhões e meio.

No mais, o que mais vale aqui em Brasilia é o que está fora dela.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

0 comentários

  1. Ralphe!
    Tenho uma piada boa pra contar.
    Em entrevista, perguntam pro Dourado (ganhador do BBB):
    – “O que você pretende fazer com seu um milhão e meio de premio?”
    – “Comprar um apartamento em Brasília, responde Dourado”.
    – “E o resto?”
    – ” O resto vou financiar”…

    hehehehe…
    Beijão e bom final de semana

  2. É isso aí, filho! A dica do hotel foi de ouro. Até meus colegas de expedição, antes céticos quanto à “frieza” do lugar, acabaram gostando e muito da tranquilidade do hotel. O melhor é que você pratica uma boa caminhada a cada vez que se desloca do quarto para algum lugar (café-da-manhã, estacionamento, piscina, portaria): o corredor tem uns 220 metros de comprimento, ou dois campos de futebol. Gostei! E gostei muito da Rural Willys do JK estacionada em frente à porta de entrada do hotel. Restaurada…