Biografia

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Muita gente que circula por este blog não me conhece.

Conhecer, no sentido pessoal e físico, digo.

Náo sabem quem eu sou, de onde vim, o que me leva a escrever tanta coisa insistente. E isso é um problema sério, de verdade!

Escrevi, há uns 5 anos atrás, uma biografia. E escrever biografia é um erro estúpido, percebi depois: tudo muda, idéias transpõem movimentos e a visão deturpada de um passado biográfico fraco e vazio amadurecem na vontade (e velocidade) de jogar tudo fora e criar uma nova vida.

Esse blog é uma auto-biografia de pensamentos, apenas.

Um eu, estranho ao mundo, quem sabe. Mas nada real, nada retrato. Não condiz com a minha explícita.

Por isso reescrevo algumas cronologias de vida — novamente — rebatendo o passado. Ei-la:

Sou de 78. Era novinho há cinco anos atrás. Hoje vejo que o tempo é um cão sarnento implacável. Nasci no interior do Paraná. Cresci pelo mundão, estacionei em Curitiba. Migrei para Brasilia. Continuo brasileiro, alemão, polaco, italiano, chinês e japonês. Tenho olhos que eram castanhos escuros, hoje esverdearam e estão em cores transitórias e esquisitas. E não tenho idéia do porquê.

Sou escorpiano e pouco me importa isso. Aliás acho qualquer ciência oculta uma perda de tempo infernal. Continuo viciado em internet, continuo com o som de carro barulhento e ainda quero ter um Porsche, apesar da impossibilidade real.

Da velha linha de ocupações mil que me eram orgulho (design, literatura, mecânica, computadores, mulheres que me intrigam, esportes radicais não convencionais, montanha, cyberspace, terra/lama/barro, molhar-se na chuva, blablabla), esqueça isso: bobagens. Fiz tudo tantas vezes que não são mais importantes. Hoje a vida tem um pouquinho mais de sentido e algumas prioridades existenciais ganharam muita importância. Antes era eu um revoltado com religiões e dogmas inúteis. Hoje, não mais. Era medo ou preguiça, vai saber.

Continuo com os quase dois metros e isso não quer dizer nada. Continuo não torcendo para time algum. Canhoto para sempre. Música? Época de jazz, alguma coisa eletrônica inteligente. Perdi totalmente o pique dos heavy metais, hardcores e gritarias. Coisa da idade.

Namorei por 5 semanas corridas ou um ano picotado. Casei. E com isso aprendi algumas coisas perfeitas e inimagináveis que um dia qualquer (quiçá uma nova biografia inútil) contarei.

Concluí um superior de publicidade. Fui empresário por 6 meses, de papel passado e tudo mais. Da minha vida profissional náo falo nada, mesmo porque chefes lêem blogs, sabia?

Não gosto de fumaça de cigarro. Náo gosto de drogas. Nem de drogados. (coisa do auto-retrato do fracasso e tal, qualquer dia o tio conta) Não gosto de bebidas. Nem o social mais, acredita? (exime-se disso o bom vinho degustado em almoço de domingo. Isso náo é beber, é apreciar, fique claro.)

Continuo a perder amigos e isso é uma coisa normal. Convivo com perdas e ganhos desde que terminei a pré-escola e isso não me assusta nem um pouco. “Evolução-descontinua-e=paralela” é como chamo isso.

São essas coisinhas aí em cima que definem uma pequenina base do que sou. Mais do que isso e vossa senhoria entediaria consideravelmente. Afinal de contas, ninguém quer mesmo conhecer gente. Já ouvi de amizades próximas que eu aparentava ser um arrogante e babaca em primeira vista. Outros, que sou um amorzinho, carismático e afável.

E sabe do mais interessante de tudo?

Continuo babaca, arrogante e um amor de pessoa. Todo mundo é legal até você conhecer direito. É estilo-de-vida essa imprevisíbilidade toda, sabe como?

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>