As fotos do meu passado digital.

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Tenho fotos em formato digital há muito tempo, desde quando esse tipo de registro ainda era coisa excêntrica e de qualidade questionável. Uma boa câmera de filmes (aqui entra um parênteses: nunca chame uma câmera de filmes de câmera-analógica; algumas tinham mais inteligência eletrônica do que muita point-and-shot de hoje em dia) e um bom scanner eram mais baratos e entregavam qualidade muito melhor.

sidequoteMas vá lá. Eu começara com uma Casio velha (neste post) e desde então fui guardando todas as imagens captadas na singela pasta ‘/fotos’.

Com o passar dos anos essa pasta cresceu de forma exponencial e hoje  tem o assustador tamanho de 500GB. Um monstro. São mais de 100.000 fotografias! Isso significa basicamente que meu HD de becape tem que ceder metade da área útil para os fotogramas. Tenho dois HD’s de becapes. Aliás dois HD’s e um monte de DVDs, que gravei há tempos, em uma época que eu não confiava muito em disco rígido.

E não é que o HD principal, mais importante, o seguro, que nunca era usado, guardado com carinho em uma caixa com silica e espuma, justamente entrou em um colapso mecânico conhecido com o belíssimo nome de Click of Death? Nele estão (veja que, com essa afirmativa no presente-perfeito-do-imaginativo, eu ainda tenho esperança de recuperá-lo) algumas fotos do período de 1999-2003. Fotos que, não sei por quê cargas d’água não estão no outro HD (apenas, presumo eu, naquele tubo de DVD’s de becape que eu não dava muita importância).

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Essa desgraça toda me deixou profundamente angustiado. Perder fotos sempre foi meu maior medo e agora, olha só, estava na linha da perda irreparável. Desespero à parte acho que existe alguma forma de recuperação, só preciso achar uma empresa tecnicamente capaz e com preços menores do que um rim.

Isto posto (boa expressão-de-muletas) comecei um processo inédito na minha carreira-micreira: migrar as fotos para a NUVEM.

Acontece que upar 500gb seria uma idiotice e perda de espaço e dinheiros.

Resolvi fazer uma faxina, pasta-por-pasta, foto-por-foto. Processo lento, mas que está gerando um resultado interessantíssimo. Quase 80% das fotos vão para o lixo: repetidas, foco duvidoso, clicada sem emoção, repetidas novamente, burst-ligado, sequencial pífia, foto do pé no click acidental. Muita foto horrível e sem apelo (olhava para a foto e se, em dois segundos, não despertasse a faísca existencial, pimba!).

Nisso, um novo lampejo empolgado me tomou as idéias. Achei umas fotos boas para recortar e recolorir. Outras, carregadas de sentimentalidades que jamais imaginaria ter.

O que me resta agora é preservar o que sobrou. E tentar achar, mesmo que demore uma eternidade-virtual (cerca de 3 anos em um calendário gregoriano) um bom restaurador de dados em HD podre.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

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