Alea jacta separactum est

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Bom, a coisa funciona mais ou menos assim: tudo está certo, a vida perambula alvissareira pelas rajadas de emoções que cruzam nossos destinos. Até o momento fatídico em que se erra o passo. Pisa em falso, A virada de pé que estrala e dói de imediato.

Aí meu caro, a sucessão de factos obscuros e mais improváveis que a sua mente civilizada e viril possa imaginar, acontece:

  • O disparate no bilhetinho escrito e dobrado dentro do bolso do paletó.
  • A foto no e-mail.
  • O telefonema no horário mais esdrúxulo e errado possível.

Como não ceder?

Como tentar esconder?

O sentimento é horrível, e isso não tem nem como protestar. É uma contradição de sentimentos que se seguem, uma angústia e a falsa ilusão de que tudo terminará de uma maneira rápida e indolor.

O soluço no final da noite. A decisão de sair. A última olhada para casa, a última ré para sair da garagem de canto.

As coisas que vivemos! As viagens que fizemos, os segredos que só nós tinhamos em comum? Não tem mais como recuperar. Aí Você olha para alguns detalhes incríveis, lembra de fatos engraçados, do “Topo qualquer coisa contigo!” das peculiaridades. As crises. Os furos. Até os piripaques eram engraçados. Engraçados porque no final a gente sabia que era coisa momentânea e com um pouquinho de sacrifício o mundo ja estaria reconstruído.

Só que relembrar essas coisas felizes é constrastar com a realiade. O desgaste, O despreparo. A insegurança. Deméritos impraticáveis e insustentáveis.

A gente evolui, e isso não tem como deixar de perceber.

Agora não evoluir junto é minar a própria existência.

Não que seja um defeito. Eu te conheço como ninguém.

Mas a vida segue em frente.

Você não será a primeira. Muito menos a última. Entenda que eu gostei de ti, mas não amei.

E tenha em mente que — apesar da cretinice e insensatez — a separação definitiva sempre é a melhor coisa que poderia ter acontecido.

Alimentemos as lembranças: atenue os momentos ruins; enalteça as boas coisas.

Assim teremos um bom passado para relembrar.

Só isso.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>