Ah! Internet safada…

Curtir Aguarde... descurtir
 
0

Depois de muito refletir, estava de mãos dadas com o destino que acabara de gargalhar, ao me ver perdido em desatinos: “É Rudy, seu destino é a solidão.”

Sim, meia dúzia de relacionamentos, finais bruscos e terríveis. Com certeza eu era o problema, e disso não tive dúvidas. Resolvi ficar triste e escrever poesias. Poeta triste é sensacional, já dizia meu avô: “Entristeça, mesmo que de mentirinha. Aí você vai ver o que é escrever uma poesia com a alma e o sofrimento digno de um amor ingrato!”

Estava em uma época de poucos amigos. Trabalho estável e lucrativo. Mercado novo, reuniões e comprometimentos. Universidade finalmente engrenada em um curso delicioso e fluente. Mas poucos amigos. Conhecidos e convenientes muitos, isso não tem como escapar. Porque de trabalho, estudos e vizinhanças convivi de aparências, sempre.

Decidi escrever. Escrever valendo, colocar em palavras as minhas angústias, solidões, medos e passados. Escrevia para meu computador. Depois de um tempo, para meu site pessoal, que acabou virando blog. Ah, era uma delícia escrever naquele espaço! Somente alguns amigos o liam, coisa bem íntima e pessoal. Contei muito da minha vida. Eram contos tristes, perdidos em pensamentos.

Apenas minha vida pedindo socorro.

A cada dia, lá eu me perdia em controvérsias e desatinos da minha imcompatibilidade vivencial. E assim me arrastei por longos meses. Problema que o site começou a ter audiência inesperada. Pessoal da universidade, amigos que há tempos não via, familiares. Todos meus familiares! Conheceram muito de mim por ali. E isso minou minha intimidade com o blog.

Mas uma coisa eu digo: aquele blog me salvou. Ao quinto dia do ano de dois mil e três. Mas isso também é história para outra tarde chuvosa.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

0 comentários