Ah, as festinhas corporativas.

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Sexta-feira passada foi dia de comemoração de final de ano aqui na empresa. Eu imaginava que seria apenas um almoço bocó com todo mundo se encarando de forma hostil, mas levei na cabeça com minhas previsões pessimistas.

O dia comecou com um café da manhã cheio de doces, acepipes e guloseimas que só existem por aqui na época do Natal. Meia hora depois, em uma capela-de-montanha (é esse nome mesmo, depois explico) que tem ali na ravina, contemplamos um coral natalino conhecido como Carol Service.

É claro que no caminho para a capela nevou e aquele clima de final de ano hollywoodiano achincalhou toda a minha concepção natalina calorenta brasileira de papai-noel de havainas. Cantamos umas canções natalinas, escutamos umas poesias e um pouco de drama com Shakespeare declamado.

Aqui entra um parênteses interessante: acredito que aquela capela seja protestante ou alguma vertente cristã. Descobri depois, conversando com um dos organizadores, que algumas pessoas não participaram por ser justamente em uma capela. Adivinha quem?

Errou se voce disse ‘Ah, a ateuzada!’.

Os ateus aqui são muitos. E não é pra menos, a Europa esta cada vez mais cética e sem conceitos espirituais. Mas a questão é que, apesar do Carol Service ser um evento piegas cristão, os ateus convictos estavam lá cantando, dando risadas e se emocionando com o evento. O social, mesmo.

Almoço com muito vinho, cervejas e comidas natalinas. O famoso Quiz de pub na hora dos digestivos, mince pies para matar o jotalhão.

Meia hora depois apareceram mais garrafas de vinhos e mais cervejas e umas despedidas chorosas de gente que está indo desta para uma melhor (empresa, não a vida), com brindes etílicos e mais comidas festivas.

Resumidamente o dia foi uma esbórnia gastro-bebericada descomunal. E que, como de costume, acabou na mesa de um pub, com o pessoal se abraçando e dizendo que te considera muito como irmão.

É a pingaiada, mais uma vez criando gente bonita na sociedade!

PS: quem não apareceu no Carol Service (além dos judeus, muçulmanos, indianos e budistas, por motivos de religião) foram os cristãos que não se interessaram pelo evento.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

0 comentários

  1. Beleza, hein? É nessa hora que os chefes descobrem a verdadeira opinião dos seus empregados sobre eles, a empresa, a mãe de todos e outras coisinhas mais. O velho ditado, “in vino veritas” nunca foi tão atual…