Agencinha™

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Estava pensando aqui com meus botões, depois da rápida depressão pós-férias, qual seria o motivo mais inteligente e racional que conseguiria mover minha ideia das terras paraguaias e retornar ao Brasil. Houve época em que eu imaginava, ainda inebriado pelo sabor voltaico de um tererê ao som de Campana, que apenas um empregão impossível, desses que pagam bem e se trabalha pouco, resolveria. Essa ideia desexilaria minha persona sem titubear.

Outrora, já mais com os piés no chón, abrir uma multi-agência criativa, de queima de fosfato e venda de carbono, resolveria. Dessas monstruosidades que sabem exatamente para onde o futuro caminha e qual a melhor prospecção estratégica para qualquer negócio. Mas isso também não existe na prática e cá novamente eu ficaria ad eternum.

Megasena? Sem essa.

Agencinha. Isso mesmo. uma agência de publicidade, design, propaganda (tem gente que não sabe a diferença entre publicidade e propaganda), internet, identidade visual, xerox colorido e escrita de carta para parente longe. Medíocre, sem aspirações, eu + eu, um Méque velho com monitor de tubo e um aparelho de fax da Panasonic.

O logo seria mais ou menos assim:

agencinha

Criaria o dominio agencinha.com.br e alugaria uma sala decadente no centro, com janelas de ferro semi-emperradas e carpetes verde-escuro queimados de cigarro. Meus clientes seriam os rejeitados de grandes e médias agências, gente sem perspectiva mesmo. Nada de peixe grande. Anzol mosquitinho pra pegar lambari de fritada. 50 cartões de visitas num dia, um sitezinho boqueta no outro. Flyers para festas de batizados, retoque de foto de tia véia. Uma vida sem privilégios de clientes que reclamam porque os bolsos dóem.

O slogan seria copiado descaradamente daquela propaganda:

Pense pequeno. Ou você já ouviu falar de Zé médio?

Veja o quão simples um futuro brilhante pode ser tangível e possível. Qualquer cidade poderia ser sede. Agencinha seria agençôna em Quiprocó Queimado, RR, por exemplo. Ninguém pegaria no meu pé porque uso ortografia obsoleta; Aliás, a “Oficina da Lingüiça” agradeceria por eu ainda usar tremas.

A antítese da síntese mais empolgante, por assim dizer.

Agencinha. Guarde esse nome (mas não vá registrar esse domínio!)

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>

2 comentários

  1. Caceta… de certa forma, eu já estou na minha “agencinha” há uns 15 anos… cópia colorida, serviço de fáquis, cartões de visita, panfletos… putz, Ralph… eu estou vivendo esse sonho aqui na copiadêra… sonho que muitas vezes, parece mais é pesadelo!