A noiva de branco (que usava cachecol)

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Querido diário,

Sexta feira fui com um coleguinha no museu da ciência. Lá tinha dois aviões bacanas: um Avro 504K  um Lockheed Electra 10A. Pois bem, como você diário bem sabe, tirei foto das duas coisas bacanas. Infelizmente eu não estava de posse de uma grande angular, o que me fez optar por poses detalhistas dos negócios que avoam.

Outrossim, tirei a seguinte foto, impressionado com o reluzente brilho do aluminio polido:

Lockheed Electra 10a

Doido de pedra que sou, acabei achando que no bordo de ataque da gabina havia um perfil todo estiloso de uma mulher pintada na fuselagem. Mostrei para a família e, todos, em expressão de “Oh!” não conseguiram achar mulher alguma ali, apenas reflexos distorcidos dos gordinhos que olhavam para cima. Procurei algumas fotos do Electra #1037 na internet e… não existe pintura lateral na fuselagem.

Pois bem, acredito então que, assim como os devotos mais fervorosos vêem imagens nos reflexos de vidros temperados, eu vi uma imagem ali.

Desenhei a senhôrinha para a posteridade, diário. Vai que, por alguma graça estranha, a visagem se apague da lata-véia:

Desenho.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.

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