Vida revista

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Avalio o que já fiz até hoje. Claro que me arrependo de inúmeras situações que poderiam ter mudado minha vida. Mas arrependeria-me de ter arrependido, pois algumas outras coisas não teriam existido. Foram frutos bons de situações ruins.

Foi o beijo que não dei, o beijo que dei. Palavras ásperas, profanadas com um orgulho bestial. Palavras doces, quando deveriam ser sutis e realistas. E-mails não respondidos, amores não correspondidos. O inóspito ignorado, o grito não dado, o sinal furado. O medo do futuro, a paciência do passado. A dor do “não” recebido em hora errada, a multa por velocidade.

Minha plenitude humana é baseada em retrospectivas e avaliações paramétricas da alma. E os fatos de maiores reflexões são os que aproximam a conturbada notoriedade de minha vivência, com a linha tênue da imaginação desejada! E assim vivo, revivo e reclamo constantemente.

Mais sobre o autor

Ralph Spegel

<p>Forte, estatura heróide, pálido de argila, barba inteira, rente, pontiaguda, vestindo corretamente, parecia à primeira vista uma dessas nulidades elegantes, a que a natureza, satisfeita por masculinizar-lhes o aspecto heróico, regateia lugar no espaço. Bastava porém, reparar na flexão das suas sombrancelhas espessas, na expressão imperativa do seu olhar, para descobrir dentro dessa míngua orgânica, um caráter em carne viva.</p>