Roll the Dice_

Frio, chuva, tédio. Preguei o celular na janela do ônibus e apertei o botãozinho da camera lenta. Ficou um caminho legal. Lembrei do ‘Jogue os Dados’ do Bukowski, ele fala de caminho legal. E lembrei daquele velho sibarita Tom O’Bedlam que deu uma voz emplastrada e morta ao texto. Ai juntei tudo e compilei. Achei…

Como é navegar em um navio no rio Tâmisa

Das muitas curiosidades e lembranças que considero vivas na minha memória, posso citar 3 que são imbatíveis: o mar e seus acessórios; a evolução exponencial da tecnologia e Jacques Cousteau, o francês exótico, nos programas de televisão. O mar sempre me foi distante. Sou um cara do interior e nunca me tornei praieiro. A…

O ubi campi

Com a idade – que só damos conta que ela existe depois dos 25 – adquirem-se novos vícios deliciosos. A pantufa fofa; o conhaque aquecido na mão; o eau-de-vie delicado; o sono da tarde ensolarada de sábado; a culinária refinada; o carro esportivo que não corre como poderia; a música curada fora das dez-mais-mais do…

As boas-novas de Cambridge

Cambridge é uma cidade boa de passear. Quando está frio e ventoso – durante a queima da pestana na hora mais triste da tarde de inverno causticante, há a loja de fudge para se abrigar. Cambridge tem cheiro de fudge. E fudge, para quem não sabe, é um doce mais doce que o doce de…

A filosofia barata é um doce

A filosofia barata é deliciosa. Encaixa perfeitamente. Tende ao acerto igual a metodologia do bem-estar coringa de um horóscopo. Ajuda, esquenta, anima, conforta. É volúvel como um mantra repetido por centenas de vezes e que não fixa. Fácil de acreditar, fácil de esquecer. O problema é que ela não ajuda. Você não muda. O gelzinho gosmento em que…

A fila do correio

A fila do correio. Agradavelmente depressiva. O idoso que esquecera a razão de estar ali: resmungava baixinho, olhando contas e papéis e cartas e tudo mais que pudesse render razão para estar ali. Logo ao lado, a velha maluca. Velha e maluca. Com dois crucifixos enrolados em um barbante vagabundo de algodão. Gorro de lenhador.…

Lembrete para daqui a pouco

O fel desgraçado que ainda escorre no canto da minha boca serve como um sinal de que nunca me esqueça que o cinema, a fotografia e a música apenas retratam idéias maravilhosas irreais. A fotografia é um fiel retrato do impossível. Aquele roteiro melodramático do filme que passou na tarde friorenta de sábado é uma…